Os dois lados de uma mesma moeda!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Fé e Contrafé


A Fé pode ser definida como sendo o absoluto exercício da razão. O homem é o único ser criado dotado de razão e possui esta faculdade justamente para usá-la e chegar a Fé e, por extensão, a Deus. A Fé, entretanto, não é apenas utilizarmos a razão no sentido afirmativo, ou seja, apenas afirmarmos em que crermos. É de igual importância ao mesmo tempo utilizarmos a razão no sentido negativo, ou seja, negarmos o que não cremos.

Defino, portanto, a Fé como sendo uma moeda com duas faces, isto é, a positiva para afirmar no que cremos e a negativa para negar as heresias. Podemos também definir Fé como sendo o exercício da Contrafé em igual parte. Em suma, não pode existir Fé sem Contrafé, assim como não pode existir uma moeda com um lado apenas. Assim como exercitamos a razão para chegar a Verdade, também vamos utilizá-la para negar mentiras e heresias. Um dos maiores erros dos modernistas no Concílio Vaticano II foi tratar a Fé apenas como afirmação e abrir mão de negar as heresias.

Toda a história da humanidade foi escrita sobre estes dois polos, isto é, a Cidade de Deus em contraposição a Cidade dos Homens. Desde o pecado original até nossos dias, passando pelos Antigo e Novo Testamento, a Tradição Apostólica, os Concílios (à exceção do heterodoxo e “pastoral” Vaticano II) e o Sagrado Magistério. O homem tem sempre à mão a bipolaridade de escolhas. Lembro que nessa guerra não existe o meio-termo, o mediano ou o morno. Quem optar pela abstenção também estará aderindo a Cidade dos Homens ou como diz as Escrituras: a Sinagoga de Satanás.

Ao pensar a Fé como ela realmente é (afirmação da Verdade e negação das mentiras) iremos indubitavelmente chegar a conclusão primeira que o ecumenismo é falso e não passa de uma arapuca para atrair os ignaros. Fé é objetiva e não relativista. Mesmo que – por exemplo – a Fé católica fosse diferente em apenas uma vírgula da fé muçulmana, já seria o bastante para louvarmos a primeira e negarmos veementemente a segunda. O mesmo exemplo pode ser dado em relação aos protestantes, budistas e todas as outras denominações. Não existe em hipótese alguma relativização, pois Deus é coerência em ato. De um lado está a Igreja (Cidade de Deus) de outro estão todas outras religiões e heresias reunidas (Cidade dos Homens ou Sinagoga de Satanás). Para ter Fé na primeira é necessário negar a segunda. Simples assim!

Muitos podem achar duras minhas palavras. Alerto, todavia, que o melhor amigo é aquele que diz a verdade e não compactua com mentiras ou relativizações. Nosso Senhor é claro quanto ao dever de todo cristão (para ser cristão é necessário ser católico) evangelizar. O exercício da evangelização é dar testemunho de Jesus e negar todas as heresias. O Magistério da Igreja é baseada nesses dois pilares. O modernismo – ao tentar retirar a condenação de heresias para promover o ecumenismo – cometeu um ato herege em si, pois quebrou a unidade de Fé e Contrafé. Frases estúpidas como “aquilo que nos une é maior do que aquilo que nos separa” passaram sorrateiramente a fazer parte da pastoral de muitos clérigos. Hoje, a regra é no máximo afirmar convicção e jamais condenar heresia. Seria como se a Fé quisesse caminhar sem uma de suas pernas, isto é, ela inevitavelmente cairá e ainda por cima será zombada pelos hereges. A Fé é nossa espada e a Contrafé nosso escudo.

Algumas pessoas me perguntam se a Igreja sobreviverá ao Vaticano II. Eu respondo com outra pergunta aos meus interlocutores: o que é Igreja e quem fala por ela? Padres ou bispos adeptos do modernismo não falam por ela, pois para falar pela Igreja é preciso confirmar o Sagrado Magistério, ou seja, a união indissolúvel entre a Escritura e a Tradição. Até mesmo um papa que não se pronuncie ex- cathedra pode não falar por ela. Neste sentido, o modernismo é uma heterodoxia que veio para confundir. A Fé nos obriga a acreditarmos que o câncer modernista será extirpado do seio da Sé, pois conforme afirmou Nosso Senhor “(...) as portas do inferno não prevalecerão (Mt 16,18-19)” Portanto, vamos prestar muita atenção se aquele que se apresenta como Igreja realmente está conectado com o Magistério. Esta observação serve tanto para leigos ou clérigos. A Contrafé é elemento primordial para testarmos a Fé de qualquer católico.

Escrito por Rodrigo Maximo

4 comentários:

Neyva Daniella disse...

Muito bom este texto, eu nunca tinha pensado na contra-fé, mas agora entendi.

Boa semana!

Giovana disse...

Salve Maria!

Olha Neyva o autor deste texto entrou em contato comigo e acabei por conhecer os textos dele, nossa eu amei!!!

A internet nos dá às vezes estes presentes: bons amigos, textos formidáveis, crescimento espiritual!

Tá certo que me aborreço bem com certas coisas; mas suas visitas e comentários; o texto do Rodrigo acima, são coisas que alegram bem meu dia e me dão ânimo de continuar e empreitada com este Blog.


Fiquemos com Deus!

MANUEL FIGUEIREDO disse...

“Os católicos que se manifestem fieis á Tradição ainda que eles sejam reduzidos a um punhado, eles são a verdadeira Igreja de Jesus Cristo.”
Santo Atanásio

Rodrigo disse...

Por falar em Santo Atanásio , esse autêntico defensor da fé, contra os "moderninhos" de seu tempo, rogo a Deus - todos os dias - para que Ele nos envie um novo Atanásio para lutar contra os "moderninhos" do nosso tempo pós Vaticano II. Santo Atanásio, rogai pela nossa Igreja!

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Salve Maria!

Que o Espírito Santo conduza suas palavras. E que Deus nos abençoe sempre.

***Caso o comentário seja contrário a fé Católica, contrário a Tradição Católica SERÁ DELETADO, NEM PERCA SEU TEMPO!
***Para maiores esclarecimentos: não sou adepta deste falso ecumenismo, não sou relativista, não sou sincretista, não tenho a mínima vontade de divulgar heresias; minha intenção não será outra a não ser combater tudo que cito acima!

Por fim, penso que esclarecidas as partes, que sejam bem vindos todos que vierem acrescentar algo mais neste pequeno sítio.