Missa Nova: Um Caso de Consciência

domingo, 5 de setembro de 2010

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I – LITURGIA


1 – Que é Liturgia?
É o conjunto dos ritos prescritos pela Igreja para o exercício do culto público.


2 – Qual a origem da Liturgia católica?
Nas suas práticas fundamentais vem de Nosso Senhor Jesus Cristo. Quando Nosso Senhor instituiu os Sacramentos e a Santa Missa, estabeleceu os primeiros elementos do culto cristão.


3 – Qual o papel da Igreja quanto a esses ritos instituídos por Nosso Senhor?
Dado que estes ritos são essenciais, isto é, fazem a essência mesma da Santa Missa e dos Sacramentos, a Igreja, assistida pelo Espírito Santo, deve guardá-los cuidadosamente e transmiti-los. Ela pode explicitá-los, enriquecê-los com novas cerimônias e preces. Mas de maneira sempre fiel àqueles elementos essenciais.


4 – Qual é a relação que existe entre a Liturgia e a Fé?
Essa relação consiste naquele admirável e célebre princípio atribuído a São Celestino I (século V) e retomado depois por vários papas até Pio XII: “Lex orandi, lex credendi”; ele significa que a Liturgia (“lex orandi”) é estabelecida, ditada pela Fé (“lex credendi”). E, por ser a Liturgia a expressão externa da Fé, ela indica qual seja a Fé que a Igreja professava e professa. Ela é o testemunho, o escrínio da Fé.


II – LITURGIA DA MISSA


5 – Qual é o principal ato de culto?
É o Santo Sacrifício da Missa.


6 – Em que consiste em geral o sacrifício?
O sacrifício, em geral, consiste em oferecer a Deus uma coisa sensível, e destruí-la de alguma maneira, para reconhecer o supremo domínio que Ele tem sobre nós e sobre todas as coisas.


7 – Que é a Missa?
É o sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, oferecido sobre os nossos altares, sob as espécies de pão e de vinho, em memória do sacrifício da Cruz.


8 – O Sacrifício da Missa é o mesmo que o da Cruz?
O Sacrifício da Missa e substancialmente o mesmo que o da Cruz, porque o mesmo Jesus Cristo, que se ofereceu sobre a Cruz, é que se oferece pelas mãos dos sacerdotes seus ministros sobre os nossos altares, mas, quanto ao modo porque é oferecido, o sacrifício da Missa difere do sacrifício da Cruz, conservando todavia a relação mais intima e essencial com ele.


9 – Que diferença, pois, e que relação há entre o Sacrifício da Missa e o da Cruz?
Jesus Cristo sobre a Cruz se ofereceu derramando o seu Sangue e merecendo para nós; ao passo que sobre os altares Ele se sacrifica sem derramamento de sangue, e nos aplica os frutos de sua Paixão e Morte.
Outra relação do Sacrifício da Missa com o da Cruz é que o sacrifício da Missa representa de modo sensível o derramamento do Sangue de Jesus Cristo na Cruz; porque em virtude das palavras da Consagração só o Corpo de nosso Salvador se torna presente sob as espécies de pão, e sob as espécies de vinho só o seu Sangue; entretanto, pela concomitância natural e pela união hipostática, está presente, sob cada uma das espécies, Jesus Cristo todo inteiro, vivo e verdadeiro.


10 – Para que fins se oferece o Santo Sacrifício da Missa?
Oferece-se o Sacrifício da Missa a Deus: 1) para honrá-Lo como convém, e sob este ponto de vista o sacrifício é latrêutico; 2) para Lhe dar graças pelos seus benefícios, e sob este ponto de vista o sacrifício é eucarístico; 3) para aplacá-Lo e dar-Lhe a devida satisfação pelos nossos pecados, para sufragar as almas do Purgatório, e sob este ponto de vista o sacrifício é propiciatório: 4) para alcançar todas as graças que nos são necessárias, e sob este ponto de vista o sacrifício é impetratório.


11 – Quem oferece a Deus o Santo Sacrifício da Missa?
O primeiro e principal oferente é Jesus Cristo, e o sacerdote é o ministro que em nome de Jesus Cristo oferece este sacrifício ao Eterno Padre.


12 – Que se entende por liturgia da Missa?
Entende-se o conjunto de cerimônias e preces que acompanham a Missa. O mesmo que rito da Missa.


13 – Como se desenvolveu a liturgia da Missa?
Nosso Senhor instituiu a liturgia da Missa, nos seus elementos essenciais, na Quinta-feira Santa. Essa liturgia primitiva já continha os principais dogmas eucarísticos: Presença Real de Nosso Senhor, Sacerdócio hierárquico, Transubstanciação, caráter sacrifical da Missa. O rito essencial usado por Nosso Senhor já continha a expressão dessas verdades necessariamente incluídas na Missa.
Desde o século I, ainda com os apóstolos e seus sucessores imediatos, as palavras e gestos de Nosso Senhor foram enriquecidos com novas orações e cerimônias, sempre fiéis ao rito essencial.
No século IV havia quatro principais liturgias da Missa: o rito de Antioquia, o rito de Alexandria, o rito romano e o rito galicano.
A partir do século V, porém, foi-se cristalizando a unificação dos ritos conforme o modelo romano ou latino, que dessa época em diante não sofreu mais nenhuma alteração expressiva.
No século XVI, São Pio V restaurou e codificou, tornando obrigatório, o rito romano tradicional. [Ressalte-se, contudo, como se verá mais abaixo, que o mesmo São Pio V permitiu a vigência dos ritos que tivessem, então, mais de duzentos anos, como o melquita, o maronita, o milanês, o toledano etc. (N. dos Ed.).] Daí por diante, até o Papa João XXIII, vigorou sempre esse rito da Missa codificado por São Pio V.


14 – No decurso dos séculos, os hereges procuraram difundir seus erros através da liturgia da Missa?
Os hereges de todos os tempos compreenderam que a melhor maneira de modificar a fé é mudar a liturgia. Por isso, sempre agiram assim, desde o século II com os gnósticos, e depois com os eutiquianos, os iconoclastas, os albigenses e os valdenses, e sobretudo com a mais revolucionária das heresias, o protestantismo, no século XVI. O fato de haver certa liberdade em matéria litúrgica até São Pio V facilitava a difusão dessas heresias.


15 – Quais foram os principais erros protestantes a respeito da Missa?
Negação do caráter sacrifical propiciatório da Missa, do sacerdócio hierárquico do Padre, da Presença Real de Nosso Senhor pela Transubstanciação. A Missa passou a ser para eles uma mera comemoração da Ceia, e nesse sentido revolucionaram toda a liturgia da Missa.


***16 – Qual foi a reação da Igreja aos erros protestantes?
A reação veio como Concilio de Trento, infalível, que reafirmou e definiu a doutrina católica e anatematizou os hereges protestantes e suas doutrinas. No campo litúrgico o Concílio determinou a restauração do Missal Romano.
A restauração foi realizada pouco depois do Concílio por São Pio V, na Bula Quo primum tempore (19 de julho de 1570).


***17 – Que contém a Bula Quo primum tempore?
Na Bula, um dos documentos mais solenes da Igreja, São Pio V:
a) codifica a Missa conforme o Missal Romano tal qual existia antes dele, não compõe uma Missa nova;
b) obriga todos os Padres de rito latino a celebrar conforme este Missal, autorizando, todavia, os ritos com mais de 200 anos de uso em certas regiões;
c) concede um privilégio-indulto nos seguintes termos. “Em virtude de Nossa Autoridade Apostólica, pelo teor da presente Bula, concedemos e damos o indulto seguinte: que, doravante, para cantar ou rezar a Missa em qualquer igreja, se possa, sem restrição, seguir este ‘Missal’, com permissão e poder de usá-lo livre e licitamente, sem nenhum escrúpulo de consciência e sem que se possa incorrer em nenhuma pena, sentença e censura, e isto para sempre”;
d) conclui, decretando que a ninguém absolutamente seja permitido infringir as prescrições da Bula, e que se alguém, por temerária audácia, ousar atentar contra essas disposições incorrerá na indignação de Deus e dos santos Apóstolos Pedro e Paulo.


***18 – A Bula Quo primum tempore é, então, válida perpetuamente?
Sim. Três características confirmam esta perpetuidade da Bula:
a) a finalidade da Bula: para que haja um Missal idêntico que, pela unidade da oração pública, proteja a unidade da Fé;
b) o método de estabelecimento: não foi nenhuma fabricação artificial, nenhuma reforma radical, mas a restauração do Missal Romano primitivo, da Missa da Tradição;
c) os autores: um Papa avocando toda a sua Autoridade Apostólica, em conformidade exata com o voto expresso por um Concílio Ecumênico infalível, o Concílio de Trento, em conformidade com a Tradição ininterrupta da Igreja Romana, e, enfim, quanto às partes principais do Missal, em conformidade com a Igreja Universal.
A reunião dessas características nos assegura que nenhum Papa jamais poderá licitamente ab-rogar a Bula de São Pio V, mesmo admitindo que o possa fazer validamente, isto é, sem trair o depósito da Fé.


19 – Os Papas posteriores a São Pio V respeitaram essas prescrições?
Sim, mesmo fazendo os acréscimos acidentais exigidos, os Papas tiveram o máximo cuidado em conservar o rito da Tradição da Igreja codificado por São Pio V, exceto o Papa Paulo VI.
Este Papa promulgou uma nova Missa, “Novus Ordo Missae”, em 1969, após o Concílio Vaticano II.


III – A MISSA NOVA





 20 – A Missa nova é, como a tradicional, um verdadeiro testemunho da Fé católica?
Respondo com as palavras do próprio Cardeal Ratzinger aos membros da Fraternidade São Pedro em Wigratzbad: “A reforma litúrgica não foi feita em continuidade com o legítimo desenvolvimento da expressão da Fé, mas em espírito de ruptura (…) ela apareceu como um sistema de novidades, portanto nocivo e perigoso para a solidez da Fé, sobretudo da maneira como foi aplicada, (…) o rito tradicional, ao contrário, é uma muralha de defesa para a Fé (cf. Boletim da Fraternidade São Pio X na França, maio/90).
E com o Cardeal Silvio Oddi: “Tenho a impressão de que as pessoas escolhidas para efetuar todas essas reformas litúrgicas não estavam muito preocupadas com a pureza do dogma e da doutrina. Tentaram apresentar as coisas para agradar a alguém, por uma errônea concepção ecumênica” (30 Dias, julho/91).
A Missa nova foi feita por uma comissão de que faziam parte seis pastores protestantes, e foi impregnada do espírito do Concílio Vaticano II, isto é, um espírito ecumênico de aceitação de todas as religiões, de adaptação ao mundo moderno. Pela mentalidade ecumênica, sobretudo para não chocar os protestantes, a Missa nova atenua (a Missa tradicional acentua) os principais dogmas incluídos na Santa Missa: Sacrifício propiciatório, Sacerdócio hierárquico, Presença Real e Transubstanciação.



IV – MISSA NOVA E SACRIFÍCIO PROPICIATÓRIO


21 – Qual a diferença entre a doutrina católica e a protestante sobre a Missa como Sacrifício?
A doutrina católica ensina que a Missa é um verdadeiro sacrifício de caráter propiciatório: que pode ser oferecido pelos vivos, em expiação dos pecados, e pelos defuntos, em alívio das penas.
Para o protestante a Missa não é sacrifício propiciatório, mas apenas lembrança da última Ceia do Senhor; quando muito o protestante admite um sacrifício de ação de graças.


***22 – E a Missa nova exprime de maneira clara o caráter propiciatório do Santo Sacrifício?
A Missa nova é equívoca quanto ao caráter propiciatório do Santo Sacrifício. Verificamos isso em vários pontos.
a) A “Institutio” (documento que prescreve as novas cerimônias e preces da Missa), nas diversas passagens em que fala de sacrifício, só faz uma referência a seu caráter propiciatório. Pelo contrário, essas passagens se referem continuamente à Missa como sacrifício de louvor, ação de graças e comemoração do sacrifício da Cruz.
b) Além disso, usa expressões que acabam pondo na sombra o caráter sacrifical e propiciatório, pela insistência exagerada no princípio — em si incontestável — de que na Missa há um banquete do Corpo e Sangue de Jesus.
c) No texto da Missa foram supressas várias orações que marcavam o caráter propiciatório. É o caso do Ofertório, que era um dos principais elementos distintivos entre a Missa católica e a Ceia protestante. (Lutero suprimiu o Ofertório como a uma abominação). Na Missa nova o Ofertório perde suas características tradicionais e se reduz a simples apresentação de dons. Foram supressas as orações “Suscipe sancte Pater” e “Offerimus tibi Domine”, que exprimiam de maneira admirável o caráter propiciatório.
d) Essas orações tradicionais foram substituídas por outras, que não fazem a mínima referência ao sacrifício por nossos pecados. Ao contrário, contêm expressões equívocas como: “far-se-á para nós o pão da vida e bebida espiritual”, que insinuam ser a Missa mera alimentação espiritual.


***23 – Mas estes aspectos da Missa: alimento espiritual, sacrifício de louvor, não são verdadeiros?
São verdadeiros, mas o Concílio de Trento declarou que não são suficientes para o conceito católico adequado de Missa, e lançou o seguinte anátema: “Se alguém disser que o Sacrifício da Missa é somente de louvor e ação de graças, ou mera comemoração do sacrifício consumado na Cruz, mas que não é propiciatório (…) seja anátema” (D. 1743 e 1753) . O Concílio de Trento foi infalível, suas definições são irrevogáveis.
A Missa nova, no mínimo, atenua o aspecto propiciatório, favorecendo assim a mentalidade protestante.


V – MISSA NOVA E PRESENÇA REAL


24- Qual a diferença entre a doutrina católica e a protestante a respeito da Presença Real de Jesus na Eucaristia?
A Presença Real é um dos dogmas em que a seita protestante mais se distancia da doutrina católica. Segundo a doutrina católica, na Santa Missa Jesus se torna presente, de modo físico, real e permanente, em virtude das palavras da Consagração, com seu verdadeiro Corpo e Sangue. Para a seita protestante não há Presença Real, mas meramente espiritual.


25 – E a nova Missa é um testemunho de fé na Presença Real?
Não, a nova Missa favorece o erro protestante:
a) pela supressão de quase todos os sinais de Adoração e outras prescrições do Missal tradicional que tinham a finalidade de expressar a fé na presença Real: reduziu as genuflexões para apenas três; aboliu a purificação dos dedos do sacerdote no cálice, a preservação dos mesmos dedos do contato profano após a Consagração, a purificação dos vasos sagrados durante a Missa, o uso da pala para proteger o cálice; reduziu as toalhas do altar a apenas uma; eliminou as antigas e reverentes prescrições para o caso de queda da Hóstia, que foram reduzidas apenas à prescrição de que seja tomada do chão com reverência;
b) pelo ambíguo paralelo feito na “Institutio” entre a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística, como se fossem espécies do mesmo gênero: “A Missa consta de duas partes: a liturgia da palavra e a eucarística, que estão de tal maneira unidas, que fazem um só ato de culto” (n. 8). Isso leva a pensar, como os protestantes, que a presença de Jesus é apenas espiritual e transitória;
c) a “Institutio” permite também interpretar, conforme os protestantes, que Jesus se torna presente na Missa por causa da reunião dos féis, e que o povo reunido exerce a função ativa para que Cristo se torne presente na Eucaristia: “Na Missa, ou Ceia dominical, o povo de Deus se reúne, sob a presidência do sacerdote que faz as vezes de Cristo, para celebrar o memorial do Senhor ou sacrifício eucarístico. Por isso, dessa local reunião (do povo de Deus) vale eminentemente a promessa de Cristo: ‘Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou no meio deles’ (Mt 18, 20). Pois, na celebração da Missa, na qual se perpetua o sacrifício da Cruz, Cristo está realmente presente no povo reunido em seu nome, na sua palavra, na pessoa do ministro, e também substancialmente…” (n. 7);
d) na liturgia tradicional, o Sacrário é o centro das atenções numa igreja: deve estar instalado de modo inamovível no centro do altar-mor. Na nova liturgia o altar tem preferência sobre o Sacrário, e este deve ficar de lado ou numa capela à parte.
Essa nova disposição concorre para extenuar a fé na Presença Real e se aproxima da doutrina protestante de que Cristo só está presente na Eucaristia transitoriamente, no momento da comunhão.




VI – MISSA NOVA E TRANSUBSTANCIAÇÃO


26 – Que é a Consagração?
É a renovação, por meio do sacerdote, do mistério operado por Jesus Cristo na última Ceia, quando mudou o pão e o vinho no seu Corpo e no seu Sangue adorável, por estas palavras: Isto é o meu Corpo; este é o meu Sangue.


27- Como é chamada pela Igreja essa conversão do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Jesus Cristo?
É chamada Transubstanciação.


***28 – Qual a diferença entre a doutrina católica e a protestante a respeito da Consagração e da Transubstanciação na Missa?
A doutrina católica ensina que são as palavras da Consagração, pronunciadas pelo sacerdote, que tornam Jesus presente.
A doutrina protestante, ao contrário, diz que é a fé dos assistentes que realiza certa presença de Cristo.
A doutrina católica ensina que a Consagração realiza a total conversão de toda a substância do pão e de toda a substância do vinho no Corpo e no Sangue de Nosso Senhor: é a Transubstanciação.
A doutrina protestante ensina que não há Transubstanciação, mas mera presença espiritual, e que a consagração é apenas narrativa da Ceia.

29 – E a Missa nova quanto ao dogma da Consagração e Transubstanciação?
Várias mudanças na Missa nova fazem-na equívoca neste ponto.
1) Na Missa tradicional a Consagração é pronunciada em tom intimativo, de quem realiza uma ação pessoal; da mesma maneira que o Padre diz “eu te batizo”, “eu te absolvo”, ele diz também “isto é o meu corpo”; o Padre empresta a voz a Cristo.
Esse modo intimativo fica bem claro na Missa tradicional pela separação nítida dos caracteres tipográficos e pela pontuação que marcam o final da narrativa e o começo da fórmula consecratória (consultar o Missal).
Na Missa nova dá-se o contrário: palavras que fazem parte da narrativa iniciam a fórmula consecratória, e com isso o modo narrativo atinge também a fórmula, dando a entender que tudo é narrativa da Ceia, conforme a doutrina protestante. Assim, o Padre é levado a não interromper a narração da Ceia e a pronunciar as palavras da Consagração no mesmo modo narrativo e sem separá-las das palavras que a precedem. As palavras não são de Cristo, são do Padre, como acontece em qualquer narração.
2) Na Missa tradicional, após a Consagração, tendo nas mãos Nosso Senhor, o Padre genuflete e adora, e só depois o povo adora.
Na Missa nova o Padre, sem adorar, apresenta a Hóstia à assistência, que igualmente permanece de pé, e só depois é que o Padre genuflete.
Suprime-se assim um gesto natural de adoração que manifesta a fé na Presença Real em virtude das palavras da Consagração, e favorece-se a doutrina protestante de que a presença de Jesus Cristo é fruto da fé da assembléia.
O católico diz: Eu creio porque Jesus está presente. O protestante diz: Jesus está “presente” porque eu creio. Na Missa tradicional só a versão católica é possível. Na Missa nova a interpretação protestante também tem cabimento.
3) Na Missa tradicional há uma expressão incluída na Consagração do cálice que manifesta claramente a fé católica: “mysterium fidei”; é a confissão imediata da fé na Transubstanciação: mistério de fé é o que as palavras da Consagração realizam naquele momento.
Na Missa nova essa expressão foi deslocada. Só depois de ter elevado e repousado o cálice e feito a genuflexão, é que o Padre diz em voz alta para o povo: “Eis o mistério da fé”. O que mais uma vez torna possível a interpretação protestante de que é a fé dos assistentes o que faz Cristo presente.
4) Na Missa nova foi acrescentada, logo após a Consagração, uma aclamação que termina com a expressão “até que venhais”. Palavras de São Paulo que se aplicam à última vinda de Jesus no fim do mundo. Ora, tais palavras, pronunciadas logo após a Consagração, levam a pensar que de fato Jesus não está presente, não acaba de vir.
5) A “Institutio” não usa sequer uma vez o termo “Transubstanciação”. O Papa Pio VI (1794) condenou a proposição 29 do Sínodo de Pistóia pelo simples motivo de que, embora desse a definição exata, não citava o nome “Transubstanciação”, o que “favorecia os hereges”.




VII – MISSA NOVA E SACERDÓCIO HIERÁRQUICO


30 – Qual a diferença entre a doutrina católica e a doutrina protestante a respeito do sacerdócio?
A doutrina católica ensina que o sacerdócio é hierárquico, isto é, o Padre tem poderes que o leigo não tem.
A doutrina protestante diz que não existe sacerdócio hierárquico, o sacerdócio é comum a todos os fiéis pelo título do batismo. Para o protestante, quem celebra é o povo, o sacerdote (pastor) apenas preside a reunião comemorativa da ceia.


31 – A Missa nova deixa clara a doutrina do sacerdócio hierárquico?
A Missa nova é equívoca também neste ponto, porque:
1) O n. 7 da “Institutio” afirma claramente que o agente da celebração é o povo, não Nosso Senhor ou o sacerdote (vide pergunta n. 25 c.).
2) Na Missa nova, a Prece Eucarística II afirma que “Deus não deixa de reunir o povo para oferecer a oblação pura…”, o que leva a pensar, como os protestantes, que o elemento indispensável para a celebração é o povo.
3) Na Missa nova há um só Confiteor, recitado em comum pelo Padre e pelo povo, ao mesmo tempo, já não marcando, como na Missa tradicional, a distinção entre o Padre e o povo (Lutero também fizera o mesmo).
4) O n. 10 da “Institutio” qualifica de “orações presidenciais” aquelas que o Padre diz em nome do povo. E declara que a Prece Eucarística é oração presidencial. Ora, na Prece Eucarística da nova Missa está a Consagração. Portanto, a Consagração é dita em nome do povo.
Além disso, o n. 12 da “Institutio” diz que a natureza das partes presidenciais exige que sejam pronunciadas em voz alta e distinta e ouvidas atentamente por todos. E o próprio Missal manda que o celebrante pronuncie as palavras da Consagração em voz alta.
Logo, na nova Missa a Consagração é oração presidencial, que o Padre diz principalmente em nome do povo e não “in persona Christi”.

***5) Na nova Missa a posição do Padre é minimizada:
a) pela maneira de celebrar “versus populum”, como presidente da assembléia;
b) pelo desaparecimento ou uso facultativo de muitos paramentos;
c) pela multiplicidade de ministros no altar, como leitores, comentadores, ministros da Eucaristia etc.


***32 – O que é de acordo com a doutrina católica: o altar orientado na sua forma tradicional ou o altar “versus populum”?
Respondo novamente com o cardeal Ratzinger: “O altar ‘versus populum’ está fora de lugar, porque a liturgia não é uma autocelebração da comunidade, mas está orientada para o Senhor, de modo que o olhar comum, seja do sacerdote, seja de cada fiel, é para o Senhor” (entrevista ao jornal Sabato, 24/4/1993).
E com o liturgista J. A. Jungmann, in Missarum Sollemnia: “Se a Missa fosse apenas uma liturgia didática e uma celebração de comunhão, seria oportuno que o sacerdote se voltasse para o povo; mas bem diverso é o caso, sendo ela, antes de tudo, adoração a Deus e oblação do Sacrifício à Divindade”.

33 – Por que na Missa tradicional a Consagração é em voz baixa?
Porque a voz baixa marca bem a Consagração como ação exclusivamente sacerdotal, realizada “in persona Christi”. É tão importante este detalhe, que o Concílio de Trento lançou um anátema: “Se alguém disser que deve ser condenado o rito da Igreja Romana pelo qual parte do Cânon e as palavras da Consagração são proferidas em voz baixa (…) seja anátema” (Denz. 1759).




VIII – A MISSA NOVA E OS PROTESTANTES


34 – Seis pastores protestantes participaram da elaboração da nova Missa. O resultado agradou aos protestantes?
Sim, há várias declarações de pastores e “teólogos” protestantes demonstrando satisfação com a nova Missa de Paulo VI, e muitos deles já participaram de concelebrações com Padres.
Eles afirmam que na nova Missa nada mais há que possa perturbar o evangélico; que teologicamente é possível celebrar a Ceia protestante com as novas orações da Missa; que as novas preces eucarísticas abandonaram a falsa perspectiva de um sacrifício oferecido a Deus; que a maior parte das reformas desejadas por Lutero existe agora na Missa católica etc.



IX – MISSA NOVA E TRADUÇÕES


35 – A Missa nova é celebrada em vernáculo. Essas traduções são fiéis ao texto original?
Não só a versão portuguesa mas as versões de modo geral foram todas tendenciosas, no mesmo sentido equívoco da Missa nova. Todas essas versões confirmam a tendência heretizante da Missa nova. Assim, na versão portuguesa oficial encontramos:
a) “semper Virginem Mariam” traduzido por Virgem Maria;
b) “et cum spiritu tuo” traduzido por ele está no meio de nós;
c) “meum ac vestrum sacrificium” traduzido por nosso sacrifício;
d) “vita aeterna” traduzido por vida;
e) “pro multis” traduzido por “por todos”.

36 – Há algum erro teológico nessa tradução “pro multis” = por todos?
Essa tradução ocorre nas palavras da Consagração do vinho e importam em grave erro teológico. Consultemos o Catecismo Romano:
“As palavras que se ajuntam ‘por vós e por muitos’ foram tomadas uma de São Mateus, outra de São Lucas. A Santa Igreja, guiada pelo Espírito de Deus, coordenou-as numa só frase, para que exprimissem o fruto e vantagem da Paixão.
“De fato, se consideramos sua virtude, devemos reconhecer que o Salvador derramou o Sangue pela salvação de todos os homens. Se atendemos, porém, ao fruto que os homens dele auferem, não custa compreender que sua eficácia se não estende a todos, mas só a ‘muitos’ homens.
“Dizendo, pois, ‘por vós’, Nosso Senhor tinha em vista quer as pessoas presentes, quer os eleitos dentre os judeus, como o eram os discípulos a quem falava, com exceção de Judas.
“No entanto, ao acrescentar ‘por muitos’, queria aludir aos outros eleitos, fossem judeus ou gentios. Houve, pois, acerto em não dizer ‘por todos’, visto que o texto só alude aos frutos da Paixão, e esta surtiu efeito salutar unicamente para os escolhidos.”




X – OBJEÇÕES


1 – A “Institutio” afirma também a doutrina tradicional. Ora, os textos eventualmente confusos devem ser interpretados pelos claros; os textos aparentemente incorretos pelos corretos. O documento no seu todo é bom.
Essa norma de interpretação só é correta e aplicável quando as passagens confusas, suspeitas e incorretas ocorrem apenas uma vez ou outra, à maneira de lapso; quando as passagens confusas, suspeitas e incorretas são numerosas, as regras de interpretação são outras. E, se as passagens confusas, suspeitas e incorretas, além de numerosas, formam um sistema de pensamento, a citada regra de interpretação não vale, mas aplica-se a regra oposta: ou seja, pode-se perguntar se não são os textos corretos que devem ser interpretados à luz dos confusos, suspeitos e incorretos.


2 – A Missa de São Pio V foi ab-rogada pelo Papa Paulo VI. Portanto ninguém pode celebrá-la por conta própria.
A legislação da Igreja, o Direito Canônico, só considera como abolidos os costumes e indultos mais que centenários, quando explicitamente indicados na ab-rogação. Ora, isso nunca aconteceu com o privilégio-indulto de São Pio V. A simples substituição feita por Paulo VI do Missal de São Pio V pelo seu não é suficiente para uma válida ab-rogação do Missal de São Pio V. Além disso, essa substituição foi mais do que ilegítima, porque pôs em lugar da Missa católica uma Missa equívoca e heretizante.


3 – O Papa pode inovar os ritos da Missa. Ora, foi justamente isso o que fez Paulo VI.
O Papa pode inovar, isto é, enriquecer a Liturgia da Missa, mas não pode destruir e subverter na sua essência o rito da tradição apostólica; sobretudo se se considera o estreito nexo, já explicado, entre a liturgia e a Fé (“Lex orandi, lex credendi”). O Papa não pode mudar a Fé. É o que ele estaria fazendo ao fabricar uma liturgia contrária à Fé. Os hereges mudaram a fé através das inovações litúrgicas.


***4 – Os Papas são iguais em poderes. Portanto, o que um fez, o outro o pode desfazer.
Os Papas são iguais em poderes, em razão do seu oficio, enquanto Papas; mas nas questões sobre as quais emitem definições, em razão da matéria, eles não podem definir livremente sobre todas as matérias, pois estão ligados pela Sagrada Escritura, pela Tradição e pelas definições já proferidas pela Igreja.
Ora, a Missa nova de Paulo VI vai contra as definições já proferidas pela Igreja, por exemplo, no Concílio de Trento. Dois cardeais, Ottaviani e Bacci, escreveram, em 1969, a Paulo VI dizendo justamente isto, que a Missa nova representa um impressionante afastamento da doutrina católica da Santa Missa, tal qual foi formulada no Concílio de Trento.

5 – Mas não é o Papa quem define o que está ou não conforme a Tradição?
Sim, o Papa é o intérprete da Tradição, mas a Tradição não está ao sabor de cada Papa. A ela até o Papa está ligado. O Papa não pode entrar em contradição com ela. O poder do Papa é supremo, não ilimitado. Ora, as verdades contidas na Missa já foram definidas pela Igreja, são verdades contidas nas Escrituras e fazem parte da Tradição. Portanto, os Papas estão ligados a essas verdades, não podem contradizê-las, nem mesmo expressá-las equivocamente.


6 - A nova Missa foi promulgada por um Papa para a Igreja toda. Se ela é equívoca, então a Igreja falhou.
Em primeiro lugar, a Igreja toda não aceitou a nova Missa. Desde sua promulgação em 1969 até hoje, não deixou de haver uma séria resistência, por parte de milhares de fiéis, Padres, vários Bispos e até Cardeais, como Ottaviani e Bacci.
Em segundo lugar, não está em caso a infalibilidade do Papa e da Igreja, porquanto, nas leis litúrgicas, mesmo universais, o Papa e a Igreja não empenham necessariamente e sempre a infalibilidade.
O próprio Paulo VI afirmou que o novo Missal não levava a nota da infalibilidade: “O rito e a respectiva rubrica por si não são uma definição dogmática; são susceptíveis de uma qualificação teológica de valor diverso segundo o contexto litúrgico a que se referem” (Discurso de 19 de nov. de 1969).
Soma-se a isso o fato de que a primeira edição do Missal de Paulo VI continha um erro tão explícito no n. 7 da “Institutio”, que o Papa foi obrigado a mandar revê-lo. Ora, o que é infalível não pode ser passível de revisão.


***7 – O Papa impôs a nova Missa. Quem a rejeita peca por desobediência.
A obediência cega não escusa a responsabilidade daquele que obedece. Se aquele que manda ultrapassa o âmbito de seu direito de mandar, não há ordem, mas abuso de poder. A um abuso de poder corresponde ao súdito não o dever da obediência, mas o dever da resistência.
O papa não tem poder de mudar a Fé. São Roberto Belarmino diz que, “assim como é lícito resistir ao Pontífice que agride o corpo, assim também é lícito resistir ao que agride as almas (…) ou, sobretudo, àquele que tentasse destruir a Igreja”. E essa doutrina é também de Santo Tomás e de vários outros santos e doutores da Igreja.
O Papa Leão XIII ensina: “Desde que falta o direito de mandar ou que o mandato é contrário à reta razão, à lei eterna, à autoridade de Deus, então é legítimo desobedecer aos homens a fim de obedecer a Deus” (Libertas praestantissimum).

8 – Rejeitar a nova Missa não é fazer um cisma?
Permanecendo fiel à Tradição, não se pode cair em cisma, nem na heresia. É na novidade que há perigo de heresia e cisma.
Além disso, só há cisma quando se rejeita a autoridade do Papa, ou se recusa submissão aos preceitos da Igreja, ou se rejeita a comunhão com os membros da Igreja. A recusa a obedecer a um ato do Papa, de si, não envolve cisma. Mas nem isso há, no nosso caso. A nossa resistência é justamente por obediência aos preceitos da Igreja e do Magistério dos Papas. Nós reconhecemos perfeitamente a autoridade do Papa atual sobre toda a Igreja.
Outrossim, um rompimento com os costumes fundados em Tradição Apostólica, sobretudo em matéria de culto, envolve cisma. Suárez diz que o Papa poderia ser considerado cismático se “quisesse subverter todas as cerimônias fundadas em tradição apostólica”.


9 – O Papa João Paulo II  autorizou a Missa tradicional, mediante Indulto de 3 de outubro de 1984. Por que não aceitar a Missa conforme este indulto?
a) Indulto e um privilégio concedido pelo Papa outorgando uma faculdade contra ou além da lei geral. Portanto, o que não está interditado por lei geral não pode ser objeto de indulto.
Ora, o Indulto concedido por São Pio V, destinado a proteger o sacerdote contra uma eventual interdição da Missa tradicional, nunca foi ab-rogado validamente. A Missa tradicional não está, portanto, interditada. Logo, ela não pode ser objeto de novo Indulto.
Aceitar esse novo indulto seria reconhecer que a Missa tradicional fora válida e licitamente interditada por Paulo VI, o que em consciência não se pode admitir.
b) Além disso, o Indulto de João Paulo II estabelece uma condição que vai contra a consciência católica: obriga a aceitar a legitimidade doutrinária da Missa nova:
“Conste publicamente, sem ambigüidade alguma, que o referido sacerdote e os respectivos fiéis (que usarem do indulto) não compartilham em nada a atitude daqueles que põem em dúvida a legitimidade e exatidão doutrinária do Missal romano promulgado pelo Romano Pontífice Paulo VI, em 1970” (Epist. Quatuor ab hinc annos, 3/10/1984).


10 – Por que a Missa em latim, língua desconhecida da maioria dos fiéis?
Já demonstramos haver um estreito vínculo entre a Liturgia e a Fé: “Lex orandi, lex credendi”. O culto sai do dogma como a flor da sua haste. Por isso, quanto mais as fórmulas litúrgicas forem fixas, invariáveis, mais próprias serão para conservar na sua integridade o depósito da fé. Para isso contribui o latim, língua não usada vulgarmente. Ao contrário, o emprego do vernáculo serviria às seitas na difusão de seus erros. Os ataques contra a língua latina na liturgia vieram sempre da parte dos hereges e cismáticos: protestantes, jansenistas, velhos católicos…
Além disso o latim foi consagrado por aquela inscrição misteriosa da Cruz e por um uso multissecular na Igreja; é a língua da Tradição.
O Concílio de Trento anatematizou aqueles que afirmam que “só se deve celebrar a Missa em língua vulgar” (Denz. 1759).
E o Papa Pio VI, na Bula Auctorem fidei, condenou as proposições jansenistas que propunham a língua vulgar na liturgia como “falsas, temerárias, perturbadoras da ordem prescrita para a celebração dos mistérios, ofensivas aos ouvidos pios, contumeliosas para com a Igreja, favorecedora dos hereges” (prop. 33 e 66).


11 – Mas o vernáculo não facilita a participação dos fiéis na Missa?
A Missa não é uma aula de religião, é um sacrifico, um mistério. Assim o latim, língua desconhecida, misteriosa, chama justamente a atenção dos fiéis para o mistério que se realiza sobre o altar. Portanto, longe de ser um obstáculo à participação, o latim a favorece.
A melhor maneira de participar da Missa é unir-se às intenções de Nosso Senhor. Os fiéis que querem um maior conhecimento das cerimônias podem recorrer ao Missal ou a manuais de explicação. Mas a simples tradução dos textos litúrgicos em nada contribui para uma piedosa participação, dado que estes textos, tirados quase sempre das Escrituras, são, às vezes, de difícil compreensão.


12 – “A modalidade de receber a comunhão sobre a língua ou na mão é uma modalidade que variou com os tempos e que não se opõe de modo algum ao respeito devido ao Santíssimo Sacramento” (palavras do cardeal Agostinho Mayer).
Respondemos com o Courrier de Rome: “A modalidade de receber a Santa Comunhão, sem dúvida alguma, variou com o tempo, mas ela não mudou, como parece supor o cardeal Mayer, a ponto de passar, nas diferentes épocas, de modo indiferente, da comunhão na mão à comunhão sobre a língua e vice-versa. A mudança foi em toda a parte num sentido único: da comunhão na mão passou-se à comunhão sobre a língua; foi uma mudança irreversível, aprovada como uma disciplina universal da Igreja; passou-se à comunhão sobre a língua como uma prática mais segura, mais digna e mais conveniente com a doutrina católica sobre a Eucaristia e o Sacerdócio… Ora, até que se prove o contrário, o retorno do melhor ao pior não se chama simples mudança, mas regresso, e o regresso na disciplina eucarística, neste caso, comporta a multiplicação de profanações e sacrilégios”.
O Concílio de Trento, Sess. XIII, c. 8, determina: “Na comunhão sacra­mental, foi sempre costume na Igreja que os leigos recebessem a comunhão do sacerdote (…) este costume, como proveniente de Tradição apostólica, deve ser conservado com todos os direitos”.
O Catecismo do Concílio de Trento também ensina: “Devemos ensinar que só aos sacerdotes foi dado o poder de consagrar a Sagrada Eucaristia e distribuí-la aos cristãos. Sempre foi praxe na Igreja que o povo fiel recebesse o Sacramento pelas mãos dos sacerdotes (…). Assim definiu o santo Concílio de Trento, e determinou que esse costume devia ser religiosamente conservado, por causa de sua origem apostólica e porque Cristo Nosso Senhor nos deu o exemplo, quando consagrou seu Corpo Santíssimo, e por suas próprias mãos O distribuiu aos Apóstolos” (II-IV, 65).


13 – Se a Missa nova é heretizante, 25 anos de uso deveriam confirmar essa tendência.
Sim, os frutos da Missa nova confirmam plenamente que ela é heretizante.
As autoridades eclesiásticas estão hoje alarmadas com o impressionante crescimento das seitas no mundo todo; na América Latina fala-se em 400 católicos por hora aderindo a elas. Ora, esses católicos que apostatam não assistiam à Missa tradicional, e sim à Missa de Paulo VI. Pois são raríssimos os casos de apostasia, para as seitas, de católicos que assistem à Missa tradicional.
Pesquisas realizadas em várias partes do mundo constatam que atualmente se torna cada vez mais irrisório o número de católicos que assistem à Missa. Pesquisa de O Globo de 17/5/92 revela que apenas 58,8% dos católicos brasileiros se dizem praticantes, e destes “praticantes” somente 32% vão à Missa.
Os escândalos e profanações se multiplicam cada dia nas celebrações da Missa nova, sobretudo com o rito da comunhão na mão; poucos hoje acreditam na Presença Real, quase ninguém ouviu jamais falar em Transubstanciação.


14 – A conseqüência de toda essa argumentação é que a Missa nova é inválida?
De si, a Missa nova não é inválida, pois salva a fórmula essencial. Mas seu texto, como vimos, sugere que o Padre celebre invalidamente, pois induz à narrativa da Ceia e não à ação pessoal, “in persona Christi”.
Ela é ambígua, equívoca, heretizante (que favorece a heresia). Ora, a Igreja, assistida pelo divino Espírito Santo, nunca propõe nada de ambíguo, equívoco ou heretizante para seus filhos. Isso seria contra a própria natureza salvífica da Igreja.
Portanto, a nova Missa não vem da Igreja, mas dos homens da Igreja que foram infiéis à assistência do Espírito Santo e permitiram, como outrora o Papa Honório I, “que fosse maculada a fé imaculada”.


Fonte: Padres de Campos - RJ ( Com certeza antes do Dom Rifan!)


*** as marcações foram minhas.

RCC e protestantismo.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

1 comentários


PERGUNTA


Nome: Roberto

Enviada em: 01/10/2003

Local: Rio de Janeiro - RJ,

Religião: Católica

Idade: 37 anos

Escolaridade: Superior incompleto

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Prezado Prof. Orlando

Há um meses atrás enviei para o senhor algumas questionamentos sobre a Renovação Carismática e a Missa Tridentina. Certo tempo depois recebi sua resposta a qual embora fosse bastante precisa como de costum em todas as suas respotas, ainda me suscita outros questionamentos.

Embora o senhor seja contrário a Renovação Carismática e favorável a um rito litúrgico como se realizava antes do Concílio Vaticano II, preciso pergunta-lo a respeito da vivência do povo católico atual e anterior a o último concílio.

Se o senhor fosse traçar um paralelo entre o comportamento cristão-católico destas duas realidades como seriam as características?

Sabe porque eu pergunto isto caro professor? é porque hoje observo que o comportamento, o posicionamento, a atitude dos que pertencem ao movimento da renovação carismática é bem diferente daqueles que se dizem católicos e que andam por aí crendo em toda a sorte de crendices (signo, reencarnação, sortilégios, pedras, cristais). Claro que não estou dizendo que somente os católicos ligados a renovação carismática estão agindo correto sei que existem pessoas que não pertencem e até não gostam deste movimento que são firmes nos ensinamentos da Igreja, como por exemplo o senhor, mas sinceramente esses últimos são raríssimos.

Me lembro que no e-mail que o senhor me enviou foi citado como exemplo o leão que estava preso a uma corrente cujo um dos elos não era de ferro e que portanto havia o risco eminente de um acidente. Este exemplo foi usado para a Renovação Carismática que embora pareça inofensiva tem assim como o nosso leão uma perigo latente, no caso para a nossa fé.

Caro professor volto a insistir (desculpe a minha insistência) se existem erros eles podem ser direcionados, podados, se há arestas estas podem ser aparadas até transformar uma pedra bruta numa bela jóia. Não consigo entender como no meio de tanto trigo o joio não pode ser separado, e cá para nós professor graças a Deus existe bastante trigo neste movimento.

As pessoas que tem a sua vida transformada por novos valores não são somente pessoas de boa vontade independente da Renovação Carismática, mas antes muitas delas passaram a conhecer os verdadeiros valores morais que a Igreja prega através deste movimento.

O senhor mencionou sobre a Missa Tridentina que o latim era usado porque era a língua voltada para Deus, então eu pergunto o que há de herético no povo que vai a Missa em entender o que se fala para Deus.

As primeiras Missas ainda no período dos apóstolos era celebrada em latim? ou numa única língua em todas as regiões?

Falando um pouco sobre mim, quando retornei para Igreja isso a uns 7 anos atrás fui acolhido por um grupo ao qual hoje estou coordenando, uma Comunidade Aliança (Comunidade Magnificat) de lá até hoje tenho me esforçado continuamente para aprender mais e mais sobre a Igreja e como melhor servi-la, pois sei que perseverando nela sirvo ao nosso Senhor Jesus.

Por vezes sinto-me ilhado, pois a mensagem evangélica assusta e chega a afastar até mesmo o que se dizem católicos, porém não esmoreço quando percebo que tantos movimentos afloram Brasil e mundo afora mostrando que Igreja continua apesar dos pesares.

Sinceramente gostaria de conhecê-lo para sentarmos e converamos a respeito da nossa Igreja Quando o senhor virá ao Rio de Janeiro?

Aguardando sua resposta, desejo-lhe que Deus abençoe esse seu árduo porém valioso trabalho - lutar pela nossa fé católica.


RESPOSTA


Muito prezado Roberto, salve Maria.

Gostaria que você compreendesse que faço uma distinção entre as pessoas que freqüentam as reuniões dos chamados carismáticos, e o movimento em si. Critico e ataco as heresias e os erros graves da RCC. Admito que possa haver, nesse movimento, pessoas de boa vontade, pessoas equivocadas ou iludidas, que não conhecem realmente nem a doutrina católica, nem a da RCC, e que são, pouco a pouco, levadas a erros mais graves.

Também sei que a RCC não é homogênea, havendo grupos mais ou menos errados, e outros de maior ou menor boa vontade.

Evidentemente, não critico pessoas, mas as idéias que fundamentam a RCC.

Ainda ontem à noite, recebi uma jovem dentista, que dirige um grupo carismático.

Quando fiz que ela lesse alguns textos de livros importantes dos carismáticos, ela caiu das nuvens, e na realidade. Porque esses textos são espantosamente heréticos.

Claro que os dirigentes maiores da RCC não mostram esses textos para todos. Muito menos os explicam. Se o fizessem, perderiam, muito de sua "clientela".

Gostaria muito que você lesse esses livros, e que estudasse as origens do Carismatismo. Tenho certeza, pelo que conheci de você, por sua carta e por seu telefonema, que você não admitiria os erros que nesses livros se defendem.

Para ajudá-lo, penso, então escrever um estudo mais longo sobre a RCC. Deixo, porém, esse trabalho para outro dia.

Por hoje, só respondo a algumas das questões que você me coloca.

Você me pergunta como compararia a situação dos católicos, antes e depois do Vaticano II.

E você, infelizmente, sem perceber bem o termo que emprega, me pergunta sobre a "vivência dos católicos antes do Vaticano II". Sem perceber, disse eu, porque a palavra vivência é um termo tomado da filosofia existencialista, e não pode ser aceito pela Fé católica. A Fé não é uma vivência. mas uma crença em verdades reveladas por Deus e ensinadas pela Igreja. Haveria que distinguir muito, ao comparar os católicos de antes do Vaticano II com os de agora.

Em número, os católicos daqueles tempos eram bem superiores aos de hoje.

Número, porém, não vale nada. Deus e a Igreja nunca buscaram ibope. Pelo contrário. São os partidos políticos e a mídia que têm sede de ibope, e que acreditam nos números. E é o carismatismo que busca atrair multidões sem dar doutrina, mas só emoções, e que, quando reúne multidões para rebolar e agitar os bracinhos numa missa-show, julga que converteu o mundo para Cristo. A RCC vive caçando ibope.

As Missas, outrora, eram muito mais freqüentadas, e a devoção era muito mais viva, embora nem de todo reta e pura.

Em minha paróquia, -- num bairro operário -- havia várias Missas dominicais, todas abarrotadas. Quase todo o mundo ia à Missa.

Estudei sempre em colégios católicos. Eles tinham milhares de alunos.

Nas Igrejas, havia muitos padres.

Lembro-me de que, nas igrejas do centro de São Paulo, havia muitas Missas, ao mesmo tempo, numa só igreja, mesmo nos dias de semana.

Nas procissões de Corpus Christi, havia mais de milhão de católicos, e a população era bem menor que hoje. Os conventos tinham muitas religiosas e os padres apóstatas eram raros.

Lembro-me do triunfo que foi o Congresso Eucarístico de São Paulo, em 1942.

E quase não havia protestantes.

E quanto à qualidade, como eram os católicos?

Além do número, muito superior ao de hoje, havia muito mais respeito. De modo algum havia as profanações e os atrevimentos sacrílegos de hoje.

Eram os tempos severos de Pio XI -- de que me lembro ainda -- e os dias solenes de Pio XII.

Este último era um Papa hierático, que impunha um grande respeito.

Nos Colégios católicos, se ensinava religião todos os dias.

Ganhei meu primeiro certame de Catecismo -- para isto, tive que saber de cor todo o II Catecismo da Doutrina Cristã -- em 1939, quando tinha seis anos. Nos colégios maristas, se ensinava Catecismo todos os dias. O Evangelho, uma vez por semana, e o Catecismo de Devoção a Nossa Senhora, todos os sábados.

Porém, se ainda se ensinava o Catecismo, decorado, já pouco se transmitiam os princípios.

Esses aspectos positivos, que tinham muito de verniz superficial, iludiam a muitos. Por trás da fachada solene, por baixo da superfície brilhante e envernizada, por trás dos números astronômicos, grassava a mentalidade Modernista, que às escondidas e secretamente trabalhava nos porões das sacristias como cupim que tudo devora. Em silêncio e ativamente. Incansavelmente. Enquanto os padres otimistas e confiantes no poder de Pio XII, dormiam e sonhavam seu sonho róseo e doce...

De repente veio o terremoto!

De repente?

Nenhum terremoto acontece de repente.

O terremoto do Vaticano II -- a maior desgraça jamais ocorrida na História da Igreja -- era gestado nos silêncios dos claustros beneditinos e dominicanos. Discretamente, nas profundezas dos seminários jesuítas, nas revistas e Congressos de linguagem semi-esotérica.

Conspirava-se.

E para que a conspiração fosse mais segura, atacava-se como delírio ridículo a teoria da conspiração. Porque ninguém é mais contrário à teoria da conspiração do que os conspiradores ativos.

O terremoto do Vaticano II foi preparado, durante quase duzentos anos antes, pelo Romantismo, movimento gnóstico antiintelectual, que afirmava que a revelação era feita por Deus no interior de cada homem, e não por Cristo aos Apóstolos.

Para o Romantismo, o sentimento estava acima da Fé. Ou melhor, a Fé era um sentimento.

A Fé não era uma adesão da inteligência às verdades reveladas por Deus e ensinadas pela Igreja. Para o Romantismo, a Fé era um sentimento doce, íntimo, inefável e pessoal da Divindade, que existiria escondida, em germe dentro de cada homem.

A Fé seria uma vivência , uma experiência, e não uma crença.

Para a Gnose romântica -- que o povo não conhecia-- a revelação não era exclusiva da Igreja Católica. A revelação se daria dentro de cada homem, no "coração" de cada um.

E por coração os teóricos românticos entendiam uma partícula divina, existente dentro de cada ser, de cada coisa, de cada homem. O povinho, coitado, entendia por coração, o coração mesmo, e julgava que o sentimento era o ápice da devoção e da manifestação de Deus.

Daí a difusão de uma piedade sentimental, rosicler, efeminada, que não dava importância à verdade, nem à luta, nem às virtudes sérias, e seriamente praticadas.

Começou-se a falar mais do amor do que da Fé. E, em vez de verdades, começou-se a pregar e a defender "os sentimentos cristãos do povo brasileiro"...

Nas igrejas, se adocicavam as almas e se enervavam --- se retirava o nervo, a fibra -- dos católicos por meio de canções extremamente sentimentais. Ser piedoso, era rezar com o pescocinho inclinado, e ter devoção era sentir os olhos úmidos nas procissões dos santos.

Ser santo era fazer milagres, andar de camisolão azul celeste, com uma flor de lírio na mão, e com jeito semifeminino.

Lembro-me de que quando me disseram que os santos eram assim, decidi não ser santo.

Ah se me tivessem dito que os santos -- todos os santos foram combativos e foram odiados -- eram "briguentos"! Ah se me tivessem dito que ser santo era ser combativo, era ser herói no mais alto sentido desse termo!

E, enquanto os católicos, os padres e os Bispos bons procuravam apenas conservar -- sem querer conquistar nada e ninguém -- Judas não dormia.

Os Apóstolos, no Horto das Oliveiras dormiam.

Judas não dormia...

Judas vinha, a noite, com os guardas do Templo, a coorte e o tribuno também. Com o tribuno de contrapeso, para prender a Cristo.

E porque nunca me explicaram o que era a coorte e o que fazia o tribuno romano lá, no Horto das Oliveiras, sem licença de Pilatos?

...

E acho que até hoje nenhum padre -- e ninguém -- explica para os católicos o que se deve entender por "coorte", que evidentemente não era a côrte de rei nenhum.

Os padres não explicam isso.

E nem os Bispos. A CNBB tem que se preocupar com os transgênicos e com o desarmamento. E a próxima Campanha da Fraternidade será sobre a água. Evidentemente não e nunca com a água benta, que isso é coisa ligada ao céu, e a CNBB se preocupa só com coisas terrenas, e de modo muito terra a terra Dom Scheidt é menos preocupado ainda que a CNBB.

Ao tomar pose da Arquidiocese do Rio, ele fez a brilhante declaração de que, no Rio, era Bangu, e, em São Paulo, era do Timão! Mas Dom Scheidt é um místico, que passa por ser erudito, pois fez tese de doutoramento sobre Ubertino da Casale (Pensei que fosse sobre o Bangu).

Claro que vendo o jogo do Timão e a novela das oito, os padres não têm tempo de estudar nem Exegese, nem Teologia. Nem a heresia de Ubertino da Casale E para que saber o que se tende por coorte?

Por acaso isso aumenta o PIB, ou enche a barriga do povo?

Naqueles tempos de Pio XII, não havia ainda a TV , nem a novela das Oito, mas já havia a novela romântica da Rádio São Paulo.

Que era às nove horas.

Depois da bênção do Santíssimo -- porque naqueles devotos tempos de Pio XII, havia Bênção do Santíssimo -- os Padres ouviam a romântica novela da Rádio São Paulo, com violinos soluçantes, fazendo fundo sonoro às ternas declarações de doces e pudicos amores.

E havia retiros.

Nos quais se dormia...

Como nos sermões.

O resultado final desse catolicismo quase geral, muito sentimental, bastante dorminhoco e totalmente enervado, só podia ser um: a vitória da heresia Modernista que jamais se deixou abater, jamais deixou de trabalhar, depois das excomunhões lançadas contra ela por São Pio X.

Judas não dormia.

Os hereges Modernistas estudavam, maquinavam, conspiravam e trabalhavam. E surpreenderam os conservadores dormindo.

No Vaticano II, os católicos se apresentaram sem programa e praticamente sem ciência teológica. Quase nenhum Bispo conservador se opôs aos Modernistas. Inicialmente, pelo menos, NINGUÉM compreendeu as ambigüidades e as fórmulas capciosas usadas pelos Modernistas, nos textos ambíguos do Vaticano II.

E, depois do Concílio, meramente pastoral, os Modernistas tiraram as conseqüências dos princípios camuflados nas frases tortuosas e quase esotéricas das declarações conciliares.

O resultado foi a apostasia de um número imenso de padres e o êxodo dos conventos: dezenas de milhares de padres que jogaram a batina às urtigas. Dezenas de milhares de freiras e frades abandonaram regras e conventos.

O resultado foi o abandono da religião por milhões de católicos. O resultado foi o fechamento dos colégios ditos católicos. O resultado foi a rarefação da vocações, as igrejas vendidas. O resultado do ecumenismo foi o fim das missões. O resultado do ecumenismo foi a divisão dos católicos e o crescimento e a multiplicação das seitas. O resultado foi a existência, hoje, de professores de Teologia, nas Universidades Católicas, professores que se declaram ateus. O resultado foi a abandono de toda a moral pública, o crescimento da violência, do crime e do uso da droga. O resultado foi o aborto e o divórcio legalizado, a pornografia pública, invadindo os lares por meio da TV, essa meretriz eletrônica que "conservou os valores da família brasileira", como alguém se atreveu a dizer recentemente.

Pio XII dizia que o mundo moderno perdeu o sentido do pecado.

Hoje, se deveria dizer que o mundo perdeu o sentido da virtude.

Você me pergunta sobre os conhecimentos religiosos antes e depois do Vaticano II.

Evidentemente, antes do Vaticano II, apesar de todo o sentimentalismo e de toda a superficialidade já dominantes, estudava-se e se sabia muito mais do que hoje. Afinal, naqueles tempos não havia ainda uma Faculdade em cada esquina. Por isso, pensava-se mais. Bem mais.

Pelo menos em alguns, ainda funcionava a lógica. Hoje, se dizem os maiores despautérios com a maior seriedade.

Pior: escrevem-se despautérios e ninguém os percebe.

Hoje, depois do Vaticano II, e depois da Missa Nova em português, se tornou preciso explicar tolices. A decadência religiosa e intelectual são patentes.

Após o Vaticano II se perdeu não só a noção da pecado e da virtude, mas também a do ridículo.

O terremoto do Vaticano II, negando que a revelação tenha sido de verdades, mas da própria "res" -- [da substância divina] -- com a qual se entraria em contato por meio de uma experiência interior inefável, desacreditou o valor da inteligência humana.

Todas as heresias modernistas derivaram disso: da negação do valor correto da razão. Deste erro nasceram o racionalismo da Teologia da Libertação, sequaz do marxismo, e o irracionalismo emocionalista, sensacionalista, anti intelectual e gnóstico do Pentecostalismo da RCC. Racionalismo e irracionalismo são as duas pontas da língua da serpente, que engana os católicos em nossos dias, com o apoio de muitos padres.

Aliás, é Padre Jonas Abib quem afirma que: "Logo após o Vaticano II -- Deus já havia derramado o Seu Espírito sobre a Igreja ( SIC !!!) --, o inimigo veio violentamente para atacar-nos justamente em nossa fé. Ele foi tão covarde que visou especialmente àqueles que estavam na cabeça da Igreja [O Papa ???] Os mais atingidos fomos nós, padres, religiosos e religiosas" (Padre Jonas Abib, Orando com Poder, Ed. Salesiana, São Paulo, 2.001, p.55.).

É Padre Jonas Abib quem afirma tal coisa.

Você me pergunta ainda sobre o latim, escrevendo-me: "pergunto o que há de herético no povo que vai a Missa em entender o que se fala para Deus".

Devo dizer-lhe que por trás dessa vontade de impor o vernáculo na Missa, está o erro doutrinário gravíssimo que afirma que a Missa é rezada pelo povo, e não pelo Padre, erro que o concílio de Trento condenou dizendo: "Se alguém disser que o rito da Igreja Romana pelo qual parte do Cânon e as palavras da Consagração se pronunciadas em voz baixa, deve ser condenado (...) ou que só se deve celebrar a Missa em língua vulgar (...) seja anátema !"(Concílio de Trento, Cânones sobre o Santo Sacrifício da Missa, Cânon 9, Denzinger 956. O negrito é meu).

Além disso, se cada povo rezar em sua língua própria, se perde a noção da unidade da Igreja. Foi em Babel que, com pecado, as línguas se dividiram.

Foi no Pentecostes, que a unidade da Fé restabeleceu a unidade das línguas.

E o latim dificulta a introdução de erros, enquanto que, nas línguas vivas, as palavras mudam de sentido, facilita a introdução de erros.

E argumentam alguns que o povo entende a Missa em português.

Será?

Que entende o povo quando se diz que Cristo é Filho de Deus?

E que entende o povo -- e até, que entende a maioria dos padres de hoje, que lêem gibis, ou que torcem pelo Bangu ou pelo Timão - sobre o que é o Verbo?

E poderia eu multiplicar as perguntas sobre as palavras da Missa, perguntando o que significa a expressão "Ele está no meio de nós "...

A verdadeira explicação dessa estranha expressão iria muito longe.

Esta primeira carta, respondendo à sua pergunta, já vai longa, e por hoje encerro nosso bate papo. Noutra missiva, analisarei mais a fundo, como você me pede, o problema da RCC.

In Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli.

Filme sobre Aparição em Fátima.

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Salve Maria!
Vou postar este filme mas adianto que não o assisti para avaliar o conteúdo, estou "confiando" no que dizem os responsáveis pelo Santuário de Fátima, Portugal.

O 13º Dia, filme britânico que relata a história das Aparições na Cova da Iria, em Fátima, lançado em 2009, realizado pelos irmãos Ian e Dominic Higgins, tem 85 minutos de duração, demorou cinco anos para ser concluído e recorre a efeitos especiais digitais para recriar as Aparições de Maria aos Três Pastorinhos, sobretudo aquela que ficou conhecida como Milagre do Sol, a 13 de Outubro de 1917.


“É um filme intenso e de sensibilidade apurada. Revela pesquisa, dedicação e está bem construído", consideram os responsáveis do Santuário de Fátima."

Outra versão das pulseirinhas do sexo!

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Estes dias atrás meu filho de apenas 7 anos e meio chegou em casa com quatro destas pulseirinhas... logo que vi já pensei que pudesse ser mais outra versão das famosas pulseirinhas do sexo, e infelizmente não estava enganada... só que agora tem mais variedades de depravações em suas simbologias. Graças a Deus meu filho está sendo educado para DEUS e não para o mundo e logo consegui fazê-lo entender que aquilo não era bom... óbvio usando palavras adequadas para sua idade e sua inocência!

O que são?

São pedaços de silicone em forma de pulseira, mas no braço de estudantes viram um perigoso arco-íris. Os acessórios da moda deixaram de ser inocentes penduricalhos. Se rompidos, abrem caminho para uma tabela de obrigações, que vai desde o beijo até o sexo escatológico (no qual o parceiro passa fezes no outro) a depender da cor.

O uso das pulseirinhas do sexo é apontado pela polícia como motivador do assassinato de duas adolescentes em Manaus (AM) e do estupro de outra em Londrina (PR). Em função desses casos de violência, a Secretaria da Educação da Bahia orientou todas as escolas do estado a proibir o uso das pulseirinhas, segundo informou a assessoria de comunicação do órgão.

Já na rede particular, segundo o presidente do sindicato das instituições de ensino da Bahia, Natálio Dantas, na próxima semana será feita uma reunião para discutir a orientação sobre o uso do acessório.


Evolução

Foi-se o tempo em que a brincadeira de criança era aquela da salada mista, onde o ponto máximo era um selinho na boca. Nos pátios dos colégios de Salvador, os grupos de adolescentes são reconhecidos pelo uso das pulseirinhas. “Quem não usa está fora do grupo”, conta a estudante A.L., 15, que cursa o ensino médio no Colégio Estadual Manoel Devoto.

Com a repercussão dos casos de agressão pelo país, as pulseirinhas lisas não são mais encontradas com facilidade. No Centro, apenas um vendedor ambulante comercializa o produto (R$ 0,10/cada). Agora, os adolescentes passaram a usar os objetos em forma de espiral (R$ 0,50/cada). “Quando pararam de vender a lisa, comprei essa em espiral e uso na mesma intenção”, revela a estudante S.G., 14 anos, também do Colégio Manoel Devoto.

A estudante revela que começou a usar as pulseiras por medo de ser excluída do grupo. “Não deixo quebrarem as minhas [pretas]. Se algum menino vier me atacar, bato nele. Uso só pela brincadeira do grupo. Devo ter umas 50”.


Proibição

Mesmo antes da orientação da SEC de proibir o uso das pulseirinhas nas 1.544 escolas do estado, os quase 1,8 mil alunos do Colégio Estadual Presciliano Silva, na Ribeira, já estão proibidos de usar os acessórios. “Pesquisamos o significado das cores e passamos a orientar nossos alunos em palestras. Como não houve resultado significativo, chamamos os pais e contamos o que cada pulseira significava. Daí, passamos a proibir”, conta a vice- diretora, Viviane Bandeira.

A educadora ressalta que a decisão de proibir tem a intenção de preservar a integridade dos alunos dentro e fora da escola. “Os pais ficaram assustados em saber o que cada pulseira significava. Fizemos conversas com todos para proibir e evitar problemas”. Bandeira ressalta que muitos alunos respeitam a proibição na escola, mas continuam a usar os objetos na rua.

Segundo a assessoria da SEC, as escolas estão orientadas a seguir o exemplo da Presciliano Silva em conversar com os alunos e pais para negociar a proibição do uso. O representante das escolas particulares ressalta que a proibição deve ser feita de forma sutil. “Temos que começar pela orientação pedagógica, pois sabemos que os adolescentes tendem a não aceitar imposições”, ressalta Dantas que representa 450 escolas da Bahia.


Medo

Assustados com a violência envolvendo o uso das pulseiras, muitos pais já proibiram as filhas de usar os acessórios. Foi o caso da estudante B.C., 14, moradora de Luís Anselmo. “Meus pais não me deixaram mais usar, porque estão com medo de acontecer alguma coisa comigo”, conta a menina, que, para não deixar de fazer parte do grupo, camufla as pulseiras do sexo entre outras feitas com materiais diversos.

Não são apenas as meninas que usam as pulseirinhas. O estudante I.A., 16, residente no Cabula, conta que só usa a pulseira por moda. “Nunca ninguém quebrou ou quebrei de outra pessoa. Só uso porque está na moda”. O mesmo não acontece com o estudante G.D., 17, do Colégio Central. “Lasco um monte de pulseira das meninas e faço elas pagarem a prenda. Já consegui quebrar umas cinco pretas e ganhei o prêmio”, contou o adolescente, que mora na Liberdade e cursa o 2º ano.


Veja o significado de cada cor


AMARELA - Abraço no rapaz

LARANJA - Mordida carinhosa

ROXA - Beijo com língua

COR-DE-ROSA - Menina mostra o peito

VERMELHA - Dança erótica a curta distância

AZUL - Menina faz sexo oral no menino

VERDE - Sexo oral feito pelo menino

PRETA - Sexo na posição tradicional

DOURADA - Todas as posições ou sexo oral simultâneo

LISTRADA - Sexo onde a menina fica deitada de barriga para cima

GRENÁ - Sexo anal sem lubrificantes

TRANSPARENTE - Sexo com parentes consangüíneos

MARROM - Sexo escatológico


Assassinatos e estupro pelo Brasil

Pelo menos duas mortes e um estupro de adolescentes, respectivamente em Manaus e Londrina, estão relacionados com o uso das pulseirinhas do sexo. De acordo com a polícia de Manaus, uma das jovens, de 14 anos, foi encontrada morta, no dia 3 deste mês, em um quarto de hotel, localizado no bairro Morro da Liberdade. Junto ao corpo, a perícia localizou seis pulseiras, que foram supostamente arrebentadas pelo autor do crime.

Outra possível vítima das pulseiras coloridas, em Manaus, foi uma adolescente de 13 anos. A jovem foi esfaqueada na noite de Sexta-feira Santa no bairro Valparaíso. Ao lado do corpo da menor, foram encontradas duas pulseiras arrebentadas.

Em março, uma adolescente de 13 anos foi estuprada por pelo menos três rapazes em Londrina (PR). Segundo a polícia paranaense, um dos agressores teria 18 anos, e os demais seriam menores. Os três casos estão em investigação para identificar a autoria e confirmar se são relacionados com o uso das pulseirinhas. Diante dos casos, o juiz da Vara da Infância e Juventude de Londrina, Ademir Ribeiro Richter, proibiu a venda das pulseiras na cidade.

Outra cidade do Sul do país que suspendeu a venda no comércio e uso nas escolas foi Navegantes (SC). Em Salvador, segundo a delegada Laura Argolo, titular da Delegacia Especializada para a Repressão de Crimes contra a Criança e o Adolescente (Derca), não houve nenhum registro de casos de violência envolvendo o uso das pulseirinhas do sexo.


Pais: o que fazer?

O uso das pulseirinhas visa a integração dos estudantes com o grupo, segundo a psicóloga Camila Baqueira. Contudo, ela ressalta que a banalização do sexo visto como mero acessório de uma brincadeira pode ser prejudicial para a formação dos adolescentes. “Os pais precisam negociar para que os jovens não usem as pulseiras. Não pode ser de maneira impositiva, é fundamental o diálogo”.

Baqueira, que atua com psicoterapia para crianças e adolescentes, diz que o aconselhamento familiar criará um discernimento no estudante. “Se ele tiver uma boa base familiar de diálogo, vai conseguir ter um pensamento crítico diante da imposição do grupo de amigos”.

A diretora de imprensa do Sindicato dos Professores da Bahia (Sinpro), Heloísa Monteiro, acredita que é fundamental uma ampla divulgação para esclarecer os adolescentes sobre os riscos dessa brincadeira. “É necessário conscientizar. Não se pode impor. Para que o adolescente entenda a gravidade do problema, é fundamental que haja um diálogo”. A educadora lembra que aos professores cabe o aconselhamento didático. “Temos que, em sala de aula, discutir o assunto para colaborar com a família”.

O coordenador do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca-BA), Valdemar Oliveira, diz que o jogo das pulseiras é perigoso e merece extrema atenção das famílias. “A conversa deve ser cuidadosa para que o adolescente não pense apenas que está perdendo seu livre arbítrio. O importante é apresentar os riscos e demonstrar atenção”. Oliveira destaca, ainda, que o número de casos de agressão já registrados no Brasil deve ser superior. “Muitas crianças agredidas podem não contar aos pais por medo de repressão”.


Autor/Fonte: Correio da Bahia