Romantismo Alemão ( 5° Post) - Pietismo

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

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O Pietismo

Desde os primórdios da Reforma, formaram-se duas correntes nesse movimento heterodoxo: uma, mística; e outra, racionalista. O luteranismo oficial representa a segunda corrente, enquanto os movimentos anabatistas (eram pessoas que não concordavam com as práticas católicas e voltavam-se para a bíblia como única fonte confiável sobre Deus, organizando-se e estruturando doutrinas próprias) e milenaristas (os que creem que depois do Apocalipse haverá mil anos de paz, onde Jesus reinará) representam a primeira.

Em Münster, João de Leyde se fez coroar Rei-Messias no cemitério da cidade, e, depois de um reinado de terror, de comunismo e de promiscuidade sexual, Münster, “a Nova Jerusalém", foi tomada de assalto pelas tropas do Bispo da cidade. João de Leyde pereceu na tortura, e, durante séculos, seus ossos ficaram numa jaula de ferro suspensa nas torres da Catedral. Hitler ordenou a destituição dessa jaula, em 1933.

A corrente mística do protestantismo teve seu "profeta" na figura de Jacob Boehme, cujos escritos teosóficos, alquímicos e cabalistas tiveram uma enorme influência na história do pensamento europeu.

Foi da doutrina de Boehme (imagem ao lado) que nasceu o pietismo, religião do "coração", religião do sentimento, oposta ao racionalismo luterano, e do qual nasceriam a filosofia e a escola romântica alemã.

O pietismo teve porém, como fundador propriamente dito, Philipp Jacob Spenner, que, no fim do século XVII, instituiu em Frankfurt "Collegia pietatis", "ecclesiola in Ecclesia", conventículos semi-clandestinos para manter o fervor espiritual dos fiéis que se constituíram em células religiosas, que se multiplicaram na Alemanha.
O pietismo, assim como a anabatismo, os Irmãos do Livre Espírito, e tantas outras seitas místicas, não tem limites definidos. Ele é impreciso como nevoeiro:

1º) porque ele não admitia estrututras e institucionalizações;

2º) porque recusava qualquer dogmatismo. Assim, ele se misturava ecumenicamente com outras seitas protestantes. Mittner compara o pietismo ao afloramento de um rio cársico. Como no Carso, onde os rios afloram e desaparecem na terra, para reaparecer depois quilômetros além, assim também o Pietismo seria um afloramento de um único grande movimento místico que percorre a história.

Por nosso lado, acrescentaríamos que esse grande rio cársico, que ora aparece com um nome, ora volta a ser subterrâneo, para reaparecer com outro nome, mas sempre com as mesmas águas, chama-se Gnose.

O único dogma de que os pietistas faziam questão era o da Redenção por Cristo. A tudo o mais se poderia renunciar em proveito da união dos cristãos. Os pietistas faziam mesmo questão de proclamar o seu espírito de renúncia e de concessão em matéria de fé, porque desejavam veementemente a união de todos os cristãos no amor. Eram absolutamente relativistas e tolerantes. O ecumenismo era a sua felicidade. Se o único dogma de que faziam questão era o da Redenção por Cristo, não se julgue porém que eles o entendiam no sentido comum. Cristo era o Redentor, mas não era Deus. Cristo era, para eles, sobretudo um homem, um irmão, um amigo.

Religião da amizade, o pietismo se preocupava em estabelecer entre o membro da seita e Cristo uma relação de amizade sentimental e igualitária. Para Zinzendorf (imagem ao lado - foi divulgador do protestantismo e fundador da igreja Morávia) um único dogma bastava: o da humanidade de Cristo: a Santíssima Trindade seria formada por "Papai Deus", "Mamãe-Pomba" e "Irmão-Cordeiro". O Espírito Santo, chamado de Mamãe Pomba, era considerado por Zinzendorf como a divina Sofia, ou divina Sabedoria, e a segunda Eva, mãe de todos os crentes. Ora, é curiosa essa confusão do Espírito Santo com a divina Sabedoria, pois que a Sabedoria é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade e não a Terceira. Estas denominações do Espírito Santo como a Divina Sofia, Segunda Eva, ou Mamãe Pomba insinuam uma interpretação sexual da Trindade Divina, própria dos movimentos gnósticos. Na Gnose Valentiniana e na Cabala é que se fala numa Sofia inferior apresentada como elemento feminino em Deus.

Para o pietismo, seguidor de Boehme, o mundo era uma emanação da divindade, e o espírito de Deus se achava espalhado em todos os seres do universo. Esse imanentismo levava o pietismo a ter um culto religioso da natureza, a buscar fundir-se no Todo universal, a procurar estabelecer um contato com os outros homens, e mesmo com as coisas, por meio de uma simpatia universal. O pietista vivia dialeticamente, sentindo Deus distante e, ao mesmo tempo, próximo; Deus "absconditus" e Deus manifesto; e vendo o infinito imanente nas coisas finitas.

O homem deveria buscar a Deus no íntimo de seu coração. Deus falaria a cada pessoa através de seus sentimentos. A razão e a vontade deveriam ser combatidas, pois seriam causas de individualização, e empecilhos, portanto, à fusão no Todo Universal. Era preciso "reentrar" em si mesmo, e, para isto, era necessário combater as qualidades pessoais, egoísticas; resistir às imagens ilusórias dos sentidos, fruto da multiplicidade ilusória da vida real concreta (Cfr. L. Mittner- op. cit. p. 47).

A razão, especialmente, impediria o retorno ao Uno divino, pois ela, definindo as coisas, as separa. Também era preciso renunciar à vontade individual, considerada egoísta, para alcançar uma atitude de indiferença, semelhante à dos budistas e dos esotéricos.

O pietista gostava também de padecer, sofrer pacientemente as doces amarguras da vida. Ele não buscava o prazer e a alegria. Não amava os jogos e as diversões, nem a boa comida. Gostava do que é simples. Era um introvertido em contínua auto-análise, buscada como fim em si mesma.

O pietismo era então organizado em células de três pessoas que deviam ter entre si uma amizade "particular", sentimental e mística. Era o que eles chamavam "o trevo". Os três participantes do trevo deviam estabelecer um pacto de amizade, confirmado, muitas vezes, por uma comunhão. O trevo era o primeiro núcleo, ou célula, de um conventículo pietista. O próprio matrimônio era visto como "amizade conjugal", amizade de almas, de fundo religioso. No matrimônio também se formava, muitas vezes, um trevo ou um triângulo filadélfico entre os dois cônjuges e um terceiro elemento que patrocinara ou favorecera o casamento, renunciando o seu amor por um dos cônjuges. Esse terceiro elemento, que sacrificava o seu amor, era como um substituto de Cristo, um vice-Redentor. Esse amor, entre os pietistas, era chamado amor filadélfico, e se opunha ao amor filantrópico preconizado pelos racionalistas, que mandavam amar igualmente todos os homens.

Em consonância com essa concepção, Zinzendorf  renunciou a duas noivas, oferecendo-as a outros pietistas, para convertê-los. Casou-se, depois, e sua mulher lhe deu filhos. Então, ele a deixou para um amigo, enquanto partia para os Estados Unidos com uma "irmã" jovem que ia auxiliá-lo na fundação de uma colônia pietista na América. Quando sua mulher morreu, ele se casou com essa jovem.

A mística pietista, como toda mística gnóstica, incluía elementos sexuais. O processo teosófico exposto por Boehme, originado da Cabala, tem conotações desse tipo. Para Boehme, Adão teria sido um ser andrógino que não se conformando em ser o que era, quis ser o que não era, e, como castigo, Deus teria separado os sexos, criando a mulher do flanco de Adão. Zinzendorf e outros pietistas relacionavam a criação de Eva com a chaga do peito de Cristo. Nas cerimônias nupciais organizadas por Zinzendorf, havia símbolos obscenos relacionados com essa chaga.

Caracteristicamente, Susana Von Klettenberg, que iniciou Goethe na Alquimia, desenvolveu toda uma teoria mística do sangue que ela perdia em suas hemoptises de tuberculosa. Aliás, alquimia e pietismo eram estreitamente ligados.

A célula pietista funcionava como um microcosmo. Atuar nela, seria atuar no macrocosmo. Qualquer modificação na célula acarretaria uma modificação no todo universal, conforme as regras da alquimia.

A vida espiritual pietista procurava também analisar continuamente as manifestações do Deus oculto na natureza e na alma. Procurava-se, então, interpretar os "sinais de Deus" nos fenômenos naturais ou nos movimentos da alma. Por isso, os pietistas produziram uma grande quantidade de diários íntimos e cartas edificantes. Procurava-se também vaticinar o futuro, abrindo a Bíblia a esmo e lendo um versículo que manifestaria o futuro, ou a vontade de Deus.

Cabe um paralelo. Enquanto para o iluminismo o mundo era uma grande máquina que a luz da razão podia compreender, para o pietismo, em contraste, o universo era um grande ser vivo, cuja alma era o próprio Deus. A luz não seria a razão, e sim a beleza do universo, definida como esplendor da alma universal.
O misticismo anti-racionalista do pietismo produzia uma aversão a todo formalismo dogmático e litúrgico. Levava a rejeitar toda igreja constituída, toda institucionalização e hierarquia.

Por isso, os pietistas preferiam reunir-se nas casas, a fazê-lo nas igrejas. Em suas reuniões, lia-se a Bíblia, cantavam-se hinos sacros, incentivavam-se as pessoas mutuamente com discursos piedosos. Nessas reuniões não havia chefes ou presidentes, mas sim um círculo de elementos iguais, no qual o Espírito se manifestava livremente: Estas células constituíam pequenas igrejas na Igreja, "ecclesiolae in Ecclesia". Igualitarismo e ecumenismo eram notas características do pietismo.

Continua no próximo artigo postado.

Romantismo Alemão ( 4° Post) - veio religioso

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Cabala


B. O veio religioso


Introdução


Georges Lefebvre (um francês historiador , mais conhecido por seu trabalho sobre a Revolução Francesa e camponeses vida, ele cunhou o termo " história vista de baixo ", que mais tarde foi popularizado pelos historiadores marxistas britânicos), comenta, em sua obra sobre a Revolução Francesa, a importância do misticismo na Alemanha:

"Não foi um acaso, porque em nenhum país o misticismo reinava tanto. Ele anima o luteranismo e, pelo pietismo e os irmãos morávios, há filiação entre Boehme, o sapateiro teósofo do século XVII e os românticos" (Georges Lefèbvre - La Révolution Française, PUF, Paris, 1951, p. 613).

E, mais adiante, falando da filosofia dos românticos, Lefèbvre afirma:

"Eles esboçaram uma filosofia que jamais tomou uma forma coerente e sistemática (...) eles conceberam inicialmente o mundo como o fluxo inesgotável e perpetuamente mutável das criações da força vital; sob a influência dos sábios e de Schelling (filósofo alemão, um dos representantes do Idealismo alemão, assim como Fichte e Hegel), eles aí introduziram uma "simpatia universal" que se manifestava, por exemplo, na afinidade química, no magnetismo e no amor humano; as efusões religiosas tendo-os tocado, eles acabaram por tomar de empréstimo de Boehme a idéia de Centrum, que nada mais é que a alma do mundo e princípio divino. De todo modo, é o artista de gênio que ele, só pela intuição ou mesmo pelo sonho e a magia, entra em contacto com a realidade verdadeira e, nele, esta experiência misteriosa se transforma em obras de arte. O poeta é um sacerdote e esta filosofia se remete ao milagre" (G. lefèbvre, op. cit. pp. 614-615).

Jacob Boehme

Lefèbvre liga, pois, o Romantismo a Boehme e ao pietismo. Jacob Boehme (1575-1624) foi um sapateiro luterano que cresceu em meio às disputas que opunham místicos e alquimistas à ‘ortodoxia luterana’. Embebeu-se das doutrinas dos que ele chamava "altos mestres": Paracelso, Franck, Shwenkfeld, Valentim Weigel, e de outros autores alquimistas, astrólogos e místicos. Suas obras expõem as doutrinas que ele teria recebido por meio de visões místicas. Sua primeira obra foi "Die Morgenröte in Aufgang" (A aurora nascente, 1612).

"Aí a gente acha de tudo: mística, magia, alquimia. 'Teologia, filosofia, astrologia', eis o que Boehme quer aí expor".(Alexandre Koyré- La philosophie de Jacob Boehme, Vrin, Paris, p. 34).

A doutrina de Boehme é extremamente confusa e hermética. A mesma palavra tem, em suas obras, os sentidos mais variados. Para o termo 'natur', Alexandre koyré apresenta mais de dez sentidos diferentes. Além disso, Boehme inventa termos cujo significado não expõe claramente.

"O sistema labiríntico de Boehme, embora mais elaborado do que o dos alquimistas, exigiria em si mesmo um volume de comentário" (Ronald D. Gray - Goethe, the Alquimist, Cambridge University Press, 1952, pp. 38-39).

Sua filosofia tem profundos laços com a alquimia:

"Boehme fez mais do que tomar emprestada uma larga parte de seu vocabulário da alquimia. Ele adotou toda a cosmovisão da alquimia que ele desenvolveu em um sistema filosófico".

Em síntese, Boehme ensina, como a Cabala (clique aqui para saber mais), que se deve fazer uma distinção entre a Divindade e Deus. Aquela não seria ser: seria o vazio, o abismo, o nada absoluto, o "Ungrund" (Cfr. Jacob Boehme - Mysterium Magnum I, 22 - trad. de N. Berdiaeff, Ed d'Aujour'hui,Paris, 1978).

Este "Unngrund" de Jacob Boehme corresponde ao Ein Sof da Cabala (é entendida como a Divindade antes de Sua auto-manifestação na produção do mundo) e ao Deus gnóstico de Basílides e de Valentino.

Do Uno, proviriam dialeticamente a Vontade e o Desejo, respectivamente força centrífuga e centrípeta. A Divindade, para se conhecer, projetar-se-ia ad extra, na "Sofia" ou Virgem Eterna, na qual estariam as idéias ou arquétipos de todas as coisas. É quando se criam as coisas que Deus passa a ser, porque só então passa a ter corpo.(Cfr. A. Koyré, op. cit. pp. 355-357; 360-363).

A criação teria sido o resultado de uma queda irracional da Divindade. Deus teria criado Lúcifer, o qual teria corrompido a criação. Então Deus teria feito uma segunda criação.
Logo, o mal, tanto quanto o bem, teria origem divina. O universo seria vivo. A vida seria o grande fluxo, a Tinctur, que, saindo de Deus, se derrama sobre o universo e reconduz tudo a Deus.

No homem, como em todas as coisas, haveria um “grão” divino que o torna um Microthéos. A renúncia ao ser, à individualidade, ao desejo, reconduziria o homem ao estado divino original. Deste modo, o homem seria redentor de si mesmo. Adão reuniria em si o infinito e o finito, o masculino e o feminino. Ele teria corpo, porém não animalidade, e possuiria poderes mágicos. Sua queda teria sido provocada por seu amor à matéria, e, por isso, teria passado a ter corpo material animalizado, teria perdido seus poderes mágicos e sua intuição, além de ter provocado a separação dos sexos.

O quid (“quase”) divino que haveria no homem seria para ele fonte de revelação pessoal. Por isso, ninguém poderia impor dogmas a ninguém. Em matéria de fé, deveriam reinar liberdade, tolerância e ecumenismo. Por isso, a Bíblia deveria ser interpretada livremente.

A verdadeira igreja, para Boehme, deveria ser invisível e pneumática, porque Cristo pode nascer na alma de pessoas de qualquer religião, até mesmo não cristã. Da Igreja espiritual fariam parte todos os que seguissem sua revelação interior, qualquer que fosse ela, desde que praticassem o Amor. A verdadeira Igreja seria a do Amor. Uma pequena notinha aqui: lendo acima todo texto e finalizando com a afirmativa que a "igreja" seria a do amor, não dá para lembrar muitas afirmações daqueles "católicos" que somente vivem a Misericórdia de Deus (uma misericórdia também distorcida), esquecendo que Ele é Justiça e esquecendo principalmente tudo o que a Igreja ensinou e ensina???)

Em todo ser manifestar-se-ia um processo dialético, pois cada coisa seria feita de sim e de não. A felicidade perfeita viria no final da evolução dialética universal, tudo se reuniria num Cristo cósmico, síntese do espírito e da matéria, do bem e do mal, da luz e das trevas, do masculino e do feminino, do tudo e do nada (cfr. A. Koyré - op. cit. pp393-394).

A doutrina de Boehme, claramente gnóstica, tem relação direta com a Cabala e com a Alquimia. Pontos que apresentam nítido caráter cabalístico são:

a) A tese de que se deve distinguir a Divindade do Deus revelado.

b) A concepção de que a Divindade é incognoscível e é, ao mesmo tempo, Nada e Tudo, como o Ein Sof da Cabala.

c) A idéia de que em Deus, como em tudo, há um choque de princípios opostos.

d) A concepção de que na Divindade há um processo evolutivo.

e) A correspondência entre os dez Sefiroth da Cabala e os três princípios e as sete qualidades divinas de Boehme.vf) A idéia de que o mal tem origem na própria essência de Deus.

f) A crença de que, em Deus, há elementos sexuais, masculino e feminino.

g) A afirmação de que o universo é o corpo de Deus.

h) A tese de que o universo é um ser vivo.

i) A afirmação de que Adão era andrógino, e que ele tinha um corpo não material, antes da queda.

j) A idéia de que Adão já havia caído antes da existência de Eva.

l ) A crença de que foi em conseqüência da queda que Adão passou a ter corpo material, que se deu a separação dos sexos, e que a geração passou a ser por união sexual.

m) O relacionamento do poder mágico com as palavras, assim como o relacionamento do ser com a liberdade.

n) A tese de que a Sagrada Escritura tem um sentido oculto.

Gershom G. Scholem, sem dúvida o melhor conhecedor contemporâneo da mística judaica, diz a esse propósito:

"Não há razão alguma para considerar este relato como mítico; pode-se, aliás, lembrar que, no final do século XVII, um outro adepto da mística de Boehme, Johann Jakob Spaetch, ficou tão impressionado pela afinidade existente entre esta e a Cabala judaica que ele se converteu ao judaísmo". Por outro lado, Scholem afirma que existe "de toda evidência" uma correlação entre as idéias de Boehme e as da cabala teosófica, representada por uma linha de pensadores que ia de Avraham von Franckenberg (seu contemporâneo e biógrafo) até Franz von Baader (1765-1841) (Gerhard Wehr - "Jakob Boehme" in Cahiers de l'Hermétisme, Albin-Michel, paris, 1977, p. 100).

A influência das doutrinas de Jacob Boehme na religião, na filosofia e na arte foi muito grande. Porém, interessa-nos agora tratar apenas de sua influência no campo religioso.


Continua no próximo artigo postado.

Romantismo Alemão ( 3° Post) - veio esotérico

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

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II - Os veios originais do Romantismo Alemão

Estudando as origens do Romantismo alemão, podemos distinguir três veios formadores principais:

A. o veio esotérico
B. o veio religioso
C. o veio filosófico

Esses três veios conduzem a um nome e a uma doutrina. O nome é o de Jacob Boehme (clique para saber mais). A doutrina é a da Gnose, quer na sua forma cristã, quer na sua forma judáica, que é a Cabala.

A. O veio esotérico

Auguste Viatte (doutor nas relações catolicismo/romantismo) considera que há vários romantismos, com fontes diversas, mas de todas essas fontes participou o Iluminismo, amalgamando-as num todo equívoco e bizarro. Vulgarmente se entende por Iluminismo o sistema filosófico racionalista, que dominou largas camadas do mundo cultural e político no século XVIII.

Por outro lado, são conhecidos como "iluminados" os membros da seita secreta fundada por Adam Weishaupt ( a "Ordem dos Perfeitos" mais conhecida como Illuminati. Ensinava que existia uma iluminação racional, fora e acima da fé, acessível a qualquer pessoa, e poderia levar a uma maior perfeição).

Contra a monopolização do título de iluminados aos defensores de Weishaupt, já no século XVIII, protestavam Joseph de Maistre e Kircberger. Para este último, iluminados eram, propriamente, os esclarecidos por luzes ou graças divinas e que compreendiam as limitações da razão.

"A palavra iluminado significava originalmente um homem cuja razão e conhecimentos naturais eram retificados, sustentados, esclarecidos e aperfeiçoados pelo Espírito Santo; tais haviam sido os Apóstolos, tais eram todos os verdadeiros santos da Igreja cristã, tais tinham sido e tais são ainda todos os homens efetivamente religiosos, que são esclarecidos pelo alto, na proporção da pureza de seu coração e do sentimento profundo da insuficiência e dos limites de sua própria razão" (Carta de Kirchberger a Marsanne, em 1 / XI / 1796, citada por A. Viatte, op. cit. pp. 7 e 8).

Kirchberger afirma que os inimigos da religião, para confundir, começaram a chamar de Iluminados os visionários que, por vezes, eram de boa fé. A seguir, charlatães e impostores, do tipo de Cagliostro (foi um viajante, ocultista, alquimista, curandeiro e maçom do século XVIII), se arrogaram esse título, para enganar incautos. Mas, piores que todos eles foram os racionalistas, inimigos da religião, que adotaram o nome de iluminados, embora não cressem na iluminação sobrenatural, no caso os Illuminati.

Jacques D'Hondt dá uma pequena lista destes iluminados da baviera, da qual fazem parte, entre outros, os nomes de Herder, Wieland, Goethe, o futuro Padre redentorista Zacarias Werner, o Conde Stolberg, que se tornou, depois, devoto de Anna Katharina Emmerick e amigo do Bispo Sailer, Pestalozzi, Mozart, Dalberg, Mirabeau e Taleyrand.

O Iluminismo verdadeiro seria, pois, segundo Kirchberger, o religioso, aquele que reconhece que a verdadeira luz que ilumina e guia o homem vem de Deus e não da razão. Não se confunde, porém, essa iluminação sobrenatural com a de nenhuma confissão religiosa particular. Acreditavam os "iluminados" que em qualquer religião se poderia receber a iluminação divina.

"O iluminismo não se reduz ao ecletismo ( busca a conciliação de teorias distintas), mas historicamente, ele permanece inseparável dele, como, aliás, toda teosofia" (Antoine Faivre - L'ésotérisme au XVIII ème siècle en France et en Allemagne, Seghers, Paris, 1973, p. 62).

Depois do ecletismo, a segunda nota do iluminismo foi o esoterismo.

Esses iluminados consideravam-se possuidores de uma doutrina recebida ou diretamente de Deus, ou por meio de uma longa tradição imemorial, que se transmitira secretamente através das idades:

"Ciência de Deus, luz vinda do alto: a etimologia nos dá a melhor definição da teosofia e do iluminismo. Os místicos que professam essas doutrinas acreditam possuir, por uma revelação direta, os segredos do mundo superior; a "inspiração", e mais freqüentemente, a associação secreta os caracterizam: "todos esses homens, pouco satisfeitos com os dogmas nacionais e com o culto recebido, entregam-se a pesquisas mais ou menos ousadas sobre o cristianismo que eles chamam de primitivo" (Joseph de Maistre "Quatrième chapitre sur la Russie", Oeuvres, VIII, 329).

Mais do que por qualquer outro autor, a teosofia dos iluminados e dos românticos foi influenciada por Jacob Boehme. O sapateiro místico de Gorlitz marcou muito especialmente o esoterismo martinesista - (de Martines de Pasquallys) - e o chamado martinismo do "filósofo desconhecido", Louis Claude de Saint Martin, que traduziu as obras de Boehme para o francês e as fez repercutir depois nos ambientes esotéricos alemães, especialmente através de Franz von Baader.

Rol dos principais temas e teses mais comuns tratados e defendidos por esses autores:

a) Filosofia "analógica", isto é, que vê uma correspondência mágica entre Deus, o universo e o homem, de tal modo que o homem seria um microthéos, enquanto Deus e o universo seriam um macro-antropos.

b) Concepção de uma Igreja espiritual, mística, formada por todos aqueles que aderem à tradição esotérica. As igrejas estruturadas seriam meros veículos esotéricos para conduzir os iluminados à verdadeira Igreja espiritual esotérica, ecumênica e anti-dogmática.

c) Teosofia. Preocupação e pretensão de conhecer o processo de vida da Divindade.

d) Conhecimento da verdadeira natureza divina do homem: no homem, segundo eles, há uma partícula ou centelha divina (a "Fúnkenlein" de Mestre Eckhart).

e) Concepção de que a cosmogonia foi um processo resultante de uma queda da própria Divindade.

f) Crença de que houve uma Idade de Ouro inicial.

g) Crença de que o primeiro homem teria tido um corpo espiritual, que era andrógino e divino. Este Adão primevo se reproduziria espiritualmente e não por via sexual.

h) Crença de que o primeiro homem, como Deus, sofreu uma queda que o materializou, dando-lhe um corpo sexuado e aprisionador da partícula ou espírito divinos.

i) A queda, além de materializar o homem, sujeitara-o ao espaço e ao tempo, assim como o tornara escravo da natureza e da razão que o enganava, pois fizera com que perdesse a intuição divina, a qual identificava Deus, o universo e o homem.

j) O mundo seria corpo e prisão da divindade em perpétua evolução, à qual se seguiria o processo histórico, revelador da Divindade. Deus se reconstituiria no final do processo histórico.

l) Deus se revelaria no coração de cada homem, independentemente da religião a que pertencesse. Daí a valorização da mística e do inconsciente como fontes de revelação.

m) Por trás da letra da Sagrada Escritura, haveria uma doutrina oculta, à qual se acederia por meios místicos, iniciáticos ou cabalísticos.

n) O homem teria poderes ocultos, que lhe permitiriam pôr-se em contato com a Divindade e transformar magicamente o mundo. A Alquimia seria um desses meios.

o) No final do processo histórico, dar-se-ia a reintegração do homem na Divindade, a recuperação da perfeição original e a reconstituição da Idade de Ouro ou Idade do Amor, em que todos seriam um. Só então o homem e a natureza seriam redimidos. Aceitava-se ainda a apocatastasis, ou redenção universal, inclusive do demônio.

p) A redenção do homem e da Natureza dar-se-iam não por uma graça sobrenatural, mas pelo desenvolvimento de potencialidades imanentes ao Universo e ao ser humano. O homem seria salvador de si mesmo, o redentor que se auto-redime.

q) Seria preciso espiritualizar a matéria para redimi-la, já que ela era espírito cristalizado, e o espírito, matéria sublimada.

r) Dialética. Todo o processo da evolução divina, assim como a evolução e o processo histórico seriam dialéticos, porque a Divindade e o ser seriam constituídos de princípios contrários e iguais. Segundo Jacob Boehme, o ser seria formado de sim e de não, ao mesmo tempo, e o sim seria idêntico ao não.

Este elenco de idéias esotéricas e iluministas, embora fosse ensinado de modo vago, e, às vezes, disparatado, forma um sistema bem conhecido. E este sistema tem o nome de Gnose. Todas essas teses, outrossim, podem ser encontradas nos autores românticos, e são elas que fazem do Romantismo um movimento gnóstico.

Continua no próximo artigo postado.

Romantismo Alemão ( 2º Post)

domingo, 26 de dezembro de 2010

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O conhecimento de si mesmo significava o conhecimento do "infinito subjetivo em si", isto é, do divino no homem, exatamente como diz a Gnose, e este era o ponto de partida do Romantismo. Ora, este vínculo entre o conhecimento do infinito no homem e romantismo dá a esta corrente artística um tonus religioso. Por essa razão, Ricarda Huch afirma que, para os românticos, a arte seria de fato "mística inconscientemente aplicada", e dessa asserção só não aceitamos o termo 'inconscientemente', pois muitos românticos tinham clara consciência de que visavam ter uma experiência mística que lhes daria um "conhecimento absoluto".

Este conhecimento absoluto e salvador seria capaz de reconduzir o homem ao estado de inocência superior, ao estado de Adão no Paraíso:


"Neste sentido, é muito típico o ensaio de Kleist sobre as marionetes, onde se diz que o homem, quando se mirou pela primeira vez no espelho, reconhecendo a si mesmo, perdeu a inocência. Agora, ele quer descobrir o caminho de volta. Para tanto, precisa comer mais uma vez da árvore do conhecimento infinito e alcançar de novo, pelo outro lado, o paraíso da inocência, de uma segunda inocência. (...) O grande sonho dos românticos é a inocência, a segunda inocência que englobe, ao mesmo tempo, todo o caminho percorrido através da cultura, isto é, uma inocência que não seria mais a primitiva, a do jardim do Éden, mas uma inocência sábia. É a famosa criança irônica de Novalis, um dos grandes símbolos do movimento romântico" (Anatol Rosenfeld / J. Guinsburg - "Romantismo e Classicismo" in O Romantismo, org. J. Guinsburg, São Paulo, Perspectiva, 1978, p. 274).


Definir o indefinível, conhecer o incognoscível, obter um conhecimento absoluto e salvador, um conhecimento redentor da Natureza e do homem, capaz de conceder a vida eterna e o retorno à inocência primeira, estas são fórmulas que demonstram bem o parentesco doutrinário direto que o Romantismo tem com a Gnose.


De fato, a Gnose pretende ser exatamente o conhecimento do incognoscível, isto é, o conhecimento do Ser Absoluto, Deus, e o conhecimento do processo vital da divindade (Cfr. Hans Jonas - La religion gnostique, Paris, Flammarion, 1978, p. 371). E, tanto quanto o Romantismo, a Gnose pretende ser um conhecimento absoluto e salvador. Algumas citações podem comprová-lo:


"(...) a gnose (do grego Gnosis, 'conhecimento') é um conhecimento absoluto, que salva por si mesmo, ou que o gnosticismo é a teoria da obtenção da salvação por meio do conhecimento" (Henri-Charles Puech - En quête de la Gnose, Paris, Gallimard, 1978, Vol. I,p. 236).


"Não é arbitrário de colocar um conceito geral de Gnose (como) 'conhecimento' salvador" (Serge Hutin - Les gnostiques, PUF, Paris, "Que sais-je?, 1970, p. 8).


Por sua vez, Robert M. Grant confirma essas afirmações ao dizer:


"...este é o primeiro ponto e o mais importante da definição do gnosticismo: uma religião que salva pelo conhecimento; conhecer, para eles, é essencialmente se conhecer, reconhecer o elemento divino que constitui o verdadeiro Eu" (Robert M. Grant - La Gnose et les origines chrétiennes, Paris, Seuil, 1964, pp. 18-19).


Estas palavras também se aplicam perfeitamente ao Romantismo. Veja-se, por exemplo, como um pensamento de Friedrich Schlegel parece um reflexo delas:

"Tornar-se Deus, ser homem, formar-se, são expressões sinônimas" ("Diventar Dio, essere uomo, formasi sono espressioni sinonime". G. Lukacs - Die Seele und die Formen, Berlim, Luchterland, 1971, p. 71-73 apud M. Puppo, op. cit., p. 276).


Denis de Rougemont dá um nome a essa "spilt Religion":


"A exaltação da morte voluntária, amorosa e divinizante, eis o tema religioso mais profundo dessa nova heresia albigense que foi o romantismo alemão" (Denis de Rougemont - op. cit. p. 204).


Embora possam existir outras interpretações, não é arbitrário, ou improcedente, concluir com Simone de Pétrement que o Romantismo foi uma forma de Gnose.

* Desejo aqui fazer uma observação: este conhecimento romântico e gnóstico dá-se por esta "viagem" interior, por "revelações" místicas e não se trata de um conhecimento baseado num estudo sério sobre qualquer assunto. É algo intrínseco ao "eu divino", que segundo o romantismo e a gnose todos os homens trazem dentro de si.

Continua no próximo artigo postado.

Romantismo Alemão.

sábado, 25 de dezembro de 2010

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Salve Maria!

Resolvi fazer um apanhado sobre o Romantismo Alemão, pois dele certos aspectos estão presentes entre alguns que se dizem da direita dentro de nossa amada Igreja.

A uns 13 anos atrás eu li um livro de nome "Mística Cidade de Deus" (de Maria de Ágreda) que me causou muita estranheza, e apesar de na época não conseguir entender por que, eu não gostei da leitura.

Tempos depois ouvi falar sobre Anna Katharina Emmerick  e por tantos elogios que esta mulher dita  "santa", fiquei curiosa por ler seus escritos e tive a infelicidade de ler "Vida, Paixão e Glorificação do Cordeiro de Deus". Nunca tinha lido tantas barbaridades juntas em um só livro! Achei que eram "revelações" demais para uma só pessoa, e coisas que pareciam ir contra a doutrina Católica, mas que mesmo assim encantavam seus leitores.
Como eu não tinha o conhecimento para firmar em fatos meu desinteresse e porque não dizer, meu repúdio  por estas "videntes" e seus escritos, guardei esta aversão somente para mim.

Este ano de 2010, no mês de agosto, tive a alegria de poder ir ao Congresso da Montfort e para minha surpresa um dos assuntos era justamente estas "videntes" e seus livros prá lá de gnósticos! Então pude entender que minha estranheza diante estes textos tinham total fundamento.

Mas entendam que os ramos do romantismo não atingem somente a direita Católica, pelo contrário, tem muito deles em vários seguimentos, inclusive entre os progressistas. Os textos que irei expor no decorrer dos dias serão a prova do que falo, e estes textos são uma adaptação dos textos do Professor Orlando Fedeli!

Falemos um pouco sobre o ROMANTISMO ALEMÃO, e esta imagem abaixo é Goethe, um dos principais nomes do romantismo na Alemanha.

O Romantismo Alemão surge num contexto de resistência ao movimento Iluminista francês. A crítica é ao modo excessivamente racionalista e materialista de conceber o homem e o mundo que gera reduções positivistas. Por isto, o combate ao excessivo racionalismo e submissão ao método, que são características da filosofia analítica.
Esta forma de pensar (filosofia da linguagem), que é característica de um dos principais autores da filosofia da linguagem romântica alemã teve, entre outras, conseqüências para o pensamento político. Herder afirmou o caráter próprio de um período histórico ou civilização. Seria reducionista a atitude de procurar regras universais. Para explicar o pensamento de um povo é preciso se situar no momento histórico particular daquela sociedade. A Herder se atribui as noções relacionadas ao nacionalismo, historicismo e Volksgeist (espírito da nação), bem como se ressalta a sua liderança na "romântica revolta" contra o racionalismo e a fé na onipotência do método científico.

I – Conceito de Romantismo
Romantismo e Gnose

O conceito de Romantismo é nebuloso e quase inapreensível. Ele tem algo como o esgarçar das nuvens. Seus contornos são pouco definidos.

"O Romantismo não tem dogma, nem princípio, nem objetivo, nem programa, nada que se situe dentro de um pensamento definido ou de um sistema de conceitos (...) O Romantismo é uma atitude vital de índole própria e nisso reside a impossibilidade de determinar conceptualmente a sua essência" (Nicolai Hartman - A Filosofia do idealismo alemão, Lisboa, Gubelkian, 1983, pp. 189-190).

Mesmo os autores considerados fundadores do Romantismo não estavam de acordo com a sua essência, sendo pouco claros e, às vezes, contraditórios nessa matéria (Cfr. Mário Puppo- Il Romanticismo, Roma, Sudium, 1967, p. 10). Friedrich Schlegel, um dos líderes e fundadores da escola romântica alemã, escrevendo a seu irmão, August Schlegel, disse:

"Não posso enviar-te a minha interpretação da palavra "romântico" (...) ela tem 125 páginas de extensão" ("Non ti posso mandare la mia interpretazione della parola 'romantico' (...) essa è lunga 125 fogli" - apud Ladislao Mittner - Storia della letteratura tedesca, 'Dal Pietismo al Romanticismo, 1700-1820', Torino, Giulio Einaudi, 1977, p. 699).

Albert Béguin, interrogando-se sobre o Romantismo alemão, diz que recorreu:

"... às inumeráveis obras em que a crítica alemã, há alguns anos, se esforça por dar uma fórmula do romantismo, muitas análises e vistas, profundas, vivas, perspicazes são encontradas nas páginas desses livros. Mas a síntese soberana que definiria sem reserva o espírito romântico parece se furtar a todas as tentativas" (Albert Béguin - "L'âme romantique et le rêve". Paris, José Corti, 1966, p. XII).

Mittner, tratando desse tema, diz que se coletaram cento e cinqüenta definições de romantismo e que  "... a palavra 'romântico' deve a sua excepcionalíssima e indeclinável fortuna à sua irridescente polivalência; ela tenta, de fato, definir o indefinível (...)" (L. Mittner, op. cit. p. 699. O sublinhado é nosso.).
Eis aí um bom ponto de partida. "Definir o indefinível", tal seria o escopo do Romantismo. Portanto, já que só se pode definir o conhecido, ele pretende "conhecer o incognoscível". Ambas as formulações são bem próprias dessa escola, por sua natureza paradoxal ou, mais precisamente, dialética.
O conhecimento do incognoscível daria ao homem o saber absoluto, um poder mágico que lhe permitiria redimir-se e redimir a natureza. Seria, pois, um conhecimento salvador.

"Certamente, os românticos não crerão também que uma simples acumulação de fatos, devidamente constatados, conduza ao saber supremo; mas, eles manterão a esperança de obter um conhecimento absoluto, que, para eles, será mais e melhor do que um simples 'saber': (será) um 'poder' ilimitado, o instrumento mágico de uma conquista e mesmo de uma redenção da Natureza. Para eles, tratar-se-á de um conhecimento do qual participarão não só o intelecto, mas o ser inteiro, com suas regiões as mais obscuras e com aquelas que ele ainda ignora, mas que lhe serão revelados pela poesia e por outros sortilégios" (A. Béguin - op. cit. p.5. O sublinhado é nosso).

Continua no próximo artigo postado.

Meus presentes...

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

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Salve Maria!
Resolvi agradeçar as pessoas que passaram pela minha vida neste ano de 2010 e vieram somar aos meus dias o fino perfume da amizade, espero não me esquecer de ninguém... vamos lá:

- Rosinha e Dirceu, obrigada pela amizade tão querida e sempre presente!

- Celso, meu futuro cunhadinho, vc é realmente um cara muito legal!

- Professor Orlando Fedeli, tão rápida e intensa foi sua presença entre nós, obrigada por tudo ... saudades...

- Tia Silvia, graças a Deus o passado é passado, Deus te abençoe madrinha querida!

- Vanessa, vc foi a secretária/amigona que eu precisava naquela época tão difícil, vc é a amigona que não pode faltar em minha vida, obrigada pela paciência e por sua nobreza!

- Virgínia (Santuário de Nossa Senhora da Agonia), vc com toda sua meiguice foi e é o Anjo protetor dos tesouros da Virgem em Itajubá!

- Padre Tarcísio Lima (Santuário de Nossa Senhora da Agonia), não tenho palavras para agradecer o que o senhor faz por nós, pois se temos a Missa Tridentina é por sua generosidade. Como agradecer tamanho tesouro? Deus o abençoe sempre! Vê-lo todo sábado é um bálsamo para o meu coração e um modelo para minha alma!

- Padre Tarciso Júnior, nossa... meu amigão, meu pai espiritual, a quem devo a Graça da Primeira Comunhão do meu filho! O senhor sabe o quanto é querido, não é mesmo? Reze por nós.

- Padre Mateus Maria, o senhor lembra das nossas primeiras discussões pelos e-mails??? kkkkkk... Deus tem seus caminhos mesmo! Com o tempo um carinho ímpar nasceu em meu coração pelo senhor; que nunca encontrei pessoalmente, mas é como se fôssemos amigos a aaannnooooooos! Que linda é sua resposta a Deus, a cada dia fico admirada de ver sua entrega a Ele!

- Lucilene e Henrique, que lindo casal! Obrigada pela amizade desinteressada, simples, querida! Da parte da Lucilene quase que exclusiva! Deus os abençoe.

- Leonardo, acho que vc foi meu grande amigo este ano... rsrsrs... não consigo entrar no msn e não conversar pelo menos um pouquinho com vc! Rapaz como vc é incrível!!! Desejo que vc e a Fabiane sejam muito felizes! Deus o abençoe meu querido amigo de todos os dias!

- Sheila, vc é daquelas pessoas que consegue mexer com a gente, por sua delicadeza, por sua doçura, até mesmo por suas dúvidas e dilemas... rsrsrs... eu amo vc querida amiga!

- Giovanna Maria Marto, desde que vc cortou seus cabelos ando com vontade de ir aí no Recife te dar um coro bem dado menina... rsrsrs... vc é maravilhosa, tão jovem e tão valente! Tão distante e consegue estar tão perto da gente! Obrigada pela amizade!


- Também quero agradecer outros amigos que passaram pela minha vida em 2010:


Maria Rogado, Ivete, Guilherme Chenta, Edite (Portugal), Teresa Moreno (Portugal), Vanessa (site Vida de Esposa), Mauro Giovanini, Virgínia Helena (amiga/advogada), Maria Carolina (S.P.), Arnaldo Hass, Anthunes Mota, Luciana Lachance, e finalmente quem me deu esta idéia: Ana Paula (olha aí vc já está me ensinando a ser um pouquinho doce!).

Agora coloco no Santuário da Salvação que é o Imaculado Coração de Maria todos os amigos que eu possa por ventura ter esquecido. 
Amo todos vcs! Obrigada por me aturarem! Obrigada também aos Blogs e Sites amigos... Deus os abençoe!

Agradeço também a Deus a família linda que Ele me deu ... a qual eu amo, amo, amo, amo, amooooooooooooo! 

Não mereço tudo isto, mas tudo isto me pertence, a mim só resta agradecer eternamente...

Abaixo-assinado contra o maior escândalo que recai sobre nossas crianças!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

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*Este KIT GAY será entregue para crianças da idade entre 7 a 10 anos!

A Paz de Jesus!

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Salve Maria!


Estamos nos aproximando do Natal, data em que comemoramos o nascimento de Jesus. Nesta época adoramos o Menino Deus, e com mais facilidade podemos nos aproximar Dele enquanto criança. Podemos fazer como Santo Antônio de Pádua e pedir à Virgem que deixe-nos carregá-lo nos braços pelo menos um pouquinho; para sentir seu perfume infantil, para observar seus traços delicados de bebê; para quem sabe embalá-Lo até que o sono chegue; enfim, sentir a emoção dos Reis Magos e de todos que se aproximaram Dele nesta doce fase de sua vida.

Jesus nasce num ambiente rústico, a humanidade já não conseguiu recebê-Lo com a dignidade que Ele merecia, os homens não o reconhecem como Deus e sendo assim alguns poucos foram adorá-Lo e ainda hoje isto acontece.

Ele traz consigo a PAZ, porém esta PAZ não é paz que o mundo oferece. Porque os homens não compreendem que esta PAZ traz nela um convite à ESPADA, e por esta espada todos passarão! Aliás o joio será separado do trigo justamente pela espada!

O pequeno Jesus dias após seu nascimento já tem sua existência regada pelo sangue dos Santos Inocentes, meninos de Belém e região que foram mortos pela fúria de Herodes. E assim é a vida de Jesus, e também Ele rega a terra com Seu Santíssimo Sangue, Cordeiro Imolado pela “ESPADA” da CRUZ! Este precioso Sangue nos redime de nossos pecados e nos dá a PAZ, porém este mesmo Sangue nos convida a somarmos a ele o nosso sangue.

Mas então que PAZ é esta?

Esta PAZ é certeza que somos do céu, que temos um Pai que nos ama, que nosso lugar não é aqui nesta terra, que tudo isto é fugaz e passageiro. A PAZ de quem não foi abandonado ao acaso, que somos um Corpo onde a Cabeça é Cristo, que este Corpo é a Santa Mãe Igreja. É a PAZ daqueles que crêem nos Sacramentos, que morrerem para o mundo e nascem com Cristo pelo Batismo; que lavam suas almas na Confissão, que descansam suas existências na Eucaristia, que confirmam sua fé e esperança na Crisma, que apóiam os frutos de suas vidas na aliança do Matrimônio, que são outros Cristos Imolados pelo Sacramento da Ordem, e por fim, é a PAZ de todos os Justos que se apresentam diante do Trono de Deus ungidos pela Extrema Unção e justificados por Cristo!

Esta é a PAZ do Senhor!

A velha MENTIRA.

sábado, 18 de dezembro de 2010

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Salve Maria!


Num mundo onde até a “verdade” é relativa fica complicado entender o que seja a mentira. Pois cada um tem uma óptica, cada pessoa tem a sua realidade e dependendo até mesmo de sua cultura e do meio em que vive, o que é verdade para alguns pode ser uma mentira para outros!


Fácil para nós entendermos isto, facílimo!


Deus também em sua onisciência tem conhecimento desta nossa dificuldade e vindo ao encontro de nossas fraquezas e nossas limitações de entendimento, deixou um caminho muito certo para eliminarmos este relativismo em relação à verdade.


Ele nos deu Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, e Jesus mesmo nos afirma:


“Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (Jô 14, 6).

Quando lemos ou ouvimos o Governo, ONGs, Movimentos GLS (e mais tantas outras letras que podem vir somadas a esta sigla), enfim, quando nos deparamos com esta frase: “Ser gay é normal e natural!” Estamos mais uma vez diante do velho golpe do maligno, que sempre agiu através da mentira. O que é ser normal? Resposta: MODELO, REGRA. A normalidade muitas vezes se dá por conta de uma maioria em comum, sendo anormal aquele que contraria esta maioria. Observamos então que ser gay não é normal, pois a homossexualidade não é o modelo em nossa sociedade e muito menos a regra entre a realidade dos homens, pois a grande maioria é heterossexual. Podemos dizer sem medo que esta afirmação é uma MENTIRA!

Agora vamos analisar se é natural ser gay... o que é ser natural? Caso a resposta seja “ser comum”, já sabemos que o comum é ser heterossexual. Caso a resposta seja “característica própria de um Ser” então devemos analisar o que é próprio do Ser em questão, no caso, o Ser Humano. Nós fomos criados e existimos por graça de Deus e mesmo para aqueles que não crêem nisto, mesmo estas pessoas tem que concordar que temos uma finalidade, e temos leis naturais (natureza) que nos regem. A nossa finalidade como Ser criado à Imagem e Semelhança de Deus é adorar a Deus, servi-Lo na obediência e fidelidade, usufruir dos bens que Ele deixou sobre nosso domínio de forma que assim pudéssemos desenvolver as virtudes. Porém, caso eu tenha uma visão ateísta, mesmo assim tenho que entender que o “natural” é obedecer as leis da natureza e qual a principal delas? Resposta: A procriação! Todo animal é regido por esta lei, que tem a finalidade de evitar a extinção da espécie. Portanto analisando com olhos espirituais ou não,  podemos afirmar que “ser gay não é natural!” Quem afirma o contrário MENTE!

Provavelmente terão os que mesmo diante dos fatos vão ter argumentos estapafúrdios para tentar fazer apologia ao homossexualismo. Porque uma coisa é evitar o preconceito, outra bem diferente e perversa é fazer apologia daquilo que é anormal e contra a natureza. Para estas pessoas que lutam contra a VERDADE, eu termino minha reflexão com a resposta que Jesus deu aos Judeus:

“Por que não compreendeis a minha linguagem? É porque não podeis ouvir a minha palavra. Vós tendes como pai o demônio e quereis fazer os desejos de vosso pai. Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. Mas eu, porque vos digo a verdade, não me credes. Quem de vós me acusará de pecado? Se vos falo a verdade, por que me não credes?” (Jô 8, 43-46).

Como não amar o Natal?

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

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Salve Maria!

Sempre ouço nesta época do ano algumas exclamações do tipo: "Não gosto do Natal", ou "Não gosto pq é somente comércio!", ou "Acho o Natal triste!"

Francamente não consigo compreender como estas pessoas não conseguem enxergar a beleza do Natal?

Quando estive grávida do Davi, desde a confirmação da gravidez até seu nascimento, minha casa e minha família entraram em festa. Todos faziam planos, trazíamos à memória recordações antigas para deixá-las fresquinhas para quando o Davi crescesse um pouco e tivesse compreensão pudéssemos contá-las para ele. Minha mãe pegou os brinquedos antigos do meu irmão, que ainda estavam guardados, e fazendo uma faxina neles dizia que o Davi iria também brincar com eles; meu marido fez a mesma coisa com seus brinquedos antigos. Tudo era para o Davi! Esta criança veio dar vida à nossa família, que somente tinha adultos nesta época!

Finalmente chegou o grande dia do nascimento do meu filho! Ele nasceu na quaresma, numa sexta feira chuvosa, e isto para mim teve todo um significado e resposta de Deus para todas as minhas dúvidas na época; pois durante a gravidez fui internada por duas vezes e passei muitíssimo mal pelos 9 meses sem interrupções, no final da gravidez fiquei hipertensa (pressão alta), enfim, as coisas poderiam não correr como a gente havia planejado.... mas Deus tem seus caminhos e contra todas as expectativas dos médicos, tanto eu como o Davi ficamos bem, graças a Deus!

E ainda hoje, passados sete anos desta data, no aniversário dele é sempre a mesma festa. Fazemos bolo e na maioria das vezes comemoramos em família; acredito que foram apenas dois aniversários que chamamos alguns convidados. Mas a alegria não é menor por sermos somente nós! Juntamos todos ao redor dele e começamos a contar todas as coisas boas que aconteceram em nossas vidas depois que ele nasceu. Recordamos o dia do nascimento e a correria que foi; contamos a ele todas as nossas preocupações e a vitória de Deus na vida dele e na nossa; contamos como ele era lindo e esperto, que ele nasceu enooooooorme (57 cm, 4.780 kg) e saudável! Completamente saudável! E mesmo sendo sempre as mesmas coisas a serem contadas, os mesmos fatos, todo aniversário é assim! E isto o deixa muito feliz e nos faz feliz!
Cantamos parabéns e cortamos o bolo, não precisa mais nada para nossa alegria!

Então eu penso, por que com Jesus tem que ser diferente? Por que seu nascimento não pode ser recordado assim? Meu filho apesar de muito amado, não é o redentor do mundo e já fazemos tanta festa com seu aniversário!

Por que o nascimento do Salvador tem que ser triste para alguns? Sem sentido para outros? Somente comércio para a maioria? Será tão difícil sentir com a Virgem Maria e São José a alegria do nascimento do Messias? Será mesmo que não temos nada para comemorar neste dia?

Fico com os Santos Anjos e no Natal desejo cantar com eles: "Gloria in excelsis Deo et in terra pax hominibus bonae voluntatis!"

Nostalgia.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

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Salve Maria!

Estava na net procurando algo que despertasse em mim uma idéia para este artigo de hoje, quando acabei encontrando algumas figuras que fizeram um sentimento estranho me invadir, a nostalgia!

Não sou uma pessoa nostálgica e nem saudosista, amo viver o hoje e o agora, gosto de saber que o tempo está passando e eu continuo viva e aprendendo com a vida. Sempre fui assim! Gosto dos meus 41 anos e não penso nos meus 18, não que eu tenha algum bloqueio para recordar, apenas acho que é perca de tempo, penso que aproveito mais vivendo que recordando aquilo que passou. Quando tinha 14 anos cansava de escutar: "Aproveita que a meninice vai passar aí vc vai ver..."
Depois eu ouvia: "Aproveita que a juventude vai passar aí vc vai ver..."
Hoje eu ouço: " Aproveita que seu filho vai crescer, vc vai envelhecer aí vc vai ver..."

Sim, eu vi e vejo a vida desenrolando seu novelo de dias, semanas, meses, anos.... as coisas mudam, as pessoas envelhecem, morrem, outras nascem, o tempo passa... mas quer coisa mais bonita que isto? Não consigo ter este olhar cansado sobre a vida, eu amo viver... porém hoje eu caí nesta de sentir a nostalgia e vou contar o que aconteceu. 

Primeiro quero dar uma breve explicação do que seja a nostalgia: "Nostalgia é um sentimento que surge a partir da sensação de não poder mais reviver certos momentos da vida. O interessante sobre a nostalgia é que ela aumenta ao entrar em contato com sua causa e não diminui como o sentimento da saudade. Exemplo: se alguém sente saudades ou falta de um conhecido, este sentimento cessa ao se reencontrar a pessoa, com a nostalgia é exatamente o oposto, ao reencontrar um amigo que gostava de brincar, este sentimento nostálgico irá se alimentar e não diminuir como a saudade."


Então quando me deparei com estas figuras abaixo senti nostalgia da minha inocência, da época em que eu carregava a pureza nos olhos, tinha o perfume de Deus uníssimo em minha alma, atenção curiosa para tudo e confiança plena nas pessoas. Disso eu senti nostalgia!





Claro que nada disso voltará mais e agora vou "salvar" esta saudade nostálgica nos arquivos do blog da minha vida...

Agradeço aos meus pais que permitiram que eu fosse criança, com todos os sonhos de uma criança; que guardaram ao máximo o perfume de Deus em mim, foram guardiões da minha pureza... agradeço em especial minha mãe, sempre tão meiga e educada, que educou seus filhos sem tirar de nós o que de mais lindo uma criança tem, a inocência!

Fiquemos com Deus!