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Encontro de Assis

sábado, 2 de abril de 2011

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Salve Maria!


Eu imaginava que o assunto NOVA ORDEM MUNDIAL fosse de conhecimento de muitos, mas percebo que a maioria ainda está por fora do assunto, mas infelizmente muito dentro do seu contexto, mesmo sem dar conta disso. Este encontro de Assis é a prova cabal de que para o Governo Único existir, entre outras coisas, necessita-se de UMA RELIGIÃO ÚNICA!

Aí os inocentes podem pensar... "isto é uma coisa boa!”... "assim teremos a paz mundial”... Porque, infelizmente,  muitos já estão preparados e formados (adestrados) para receberem tudo isto numa boa, sem fazer objeções, sem questionamentos... Tolos nas mãos dos lobos!

Infelizmente não temos bons sacerdotes para nos orientar sobre este tema, apenas vejo o Padre Paulo Ricardo arriscando tímidas reflexões, sempre querendo isentar os Papas pós conciliares de terem preparado os católicos para o relativismo, para este "ecumenismo" e toda esta trama demoníaca. Fazer o quê? Estamos a pé!

Enfim, deixo aqui a última notícia sobre o Encontro em Assis e o vídeo de Dom Fellay.


CIDADE DO VATICANO, 2 Abr 2011 (AFP) -O Papa Bento XVI anunciou neste sábado a convocação de uma jornada interreligiosa de oração pela paz e a justiça no mundo para outubro em Assis, Itália.


"Em 1º de janeiro, o Papa Bento XVI anunciou que queria celebrar o 25º aniversário do encontro histórico celebrado em Assis em 27 de outubro de 1986, por vontade do venerável servidor de Deus João Paulo II", afirma um comunicado do Vaticano.

"Por isto, o Santo Padre quer convocar, para 27 de outubro próximo, uma jornada de reflexão, de diálogo e de oração pela paz e a justiça no mundo, comparecendo como peregrino à cidade de São Francisco e convidando para unir-se de novo a este caminho os irmãos cristãos das diversas confissões, os representantes das tradições religiosas do mundo e, de alguma forma, a todos os homens de boa vontade", completa o texto.

"A jornada terá como tema 'Peregrinos da verdade, peregrinos da paz'", conclui o comunicado.


  •  Segue:


A vida é morte

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A um vaso de vinho misturado com três partes de água não chamaremos com razão vinho; nem a um pouco de açúcar envolvido em três tantos de sal chamaremos com razão açúcar.

Logo, se eu mostrar como a nossa vida é misturada, ao menos, com três tantos de morte, provado ficará que lhe não devemos chamar, absoluta e simplesmente, vida, pois vai o seu vigor tão aguado e a sua doçura tão salgada com as propriedades da morte.

A primeira parte de morte, que anda misturada com a nossa chamada vida, é ser esta sucessiva e transeunte, tão pelo miúdo, que não é possível lograrmos dela dois instantes juntos, porque, para adquirirmos um, é força perdermos outro, que por isso a mulher de Técua a comparou não à água que está em um tanque ou lago, senão à que vai correndo. E isto é o mesmo, sem dúvida, que ir morrendo por partes.

Por isso Filo, o discretíssimo entre os hebreus, disse que cada idade era morte da outra antecedente idade, dando-nos a piedosa mão de Deus este amargoso cálice da morte a tragos, e misturado com o cálice da vida para no fim acabar de nos dar as fezes, que é a última morte de todas as outras mortes antecedentes, a qual é força que bebamos todos os filhos de Adão, uma vez que todos nele pecamos.

Porém São Paulo estes intervalos de morte a morte não os pôs distantes de idade a idade, senão de dia a dia: quotidie morior. E pela mesma razão o Papa Inocêncio III os pôs de instante a instante; nem pode deixar de ser assim, uma vez que o cálice da vida se bebe por instantes líquidos e nele vai delido o da morte.

A isto atinou também um poeta étnico, Horácio, dizendo que os anos da nossa vida eram ladrões da mesma vida. E outro, cristão, dizendo que desde o berço se ia formando a tumba, porque a árvore da mesma vida leva em si semente da morte.

E outro a um amigo, que lhe perguntara que anos tinha, respondeu discretamente que nenhuns, porque os que tinha eram os mesmos que não tinha:

Perguntas-me com empenho
pela idade, e que anos somo.
Respondo: — Nenhum. — E como?
— Os que tenho, já os não tenho..


Mas esta nossa vida outra maior parte tem de morte, por ser vida limitada, finita e, enfim, mortal. Desde que nascemos, e ainda antes de nascermos, já de certo vamos caminhando para a morte. A vida que Deus tinha dado a Adão antes do seu pecado, e que nós todos havíamos de lograr, era vida viva; esta outra, que, chamada por Adão, entrou em seu lugar, é vida morta, como dizem os Santos Padres. Porque, assim como, separando-se a alma do corpo, fica este morto; assim, separando-se da nossa vida a alma da mesma vida, fica morta esta vida. E qual é a alma da vida? A imortalidade. Tirando-se logo à nossa vida o ser imortal, que havia de ficar senão o cadáver dela, que é a vida mortal que agora trazemos às costas?

Quantos homens há, tantos cadáveres somos; quanta carne do pecado, tanta cinza da morte. Se assim não fora, não diria Deus e a Igreja a todos nós, que somos agora em vida o mesmo pó e cinza que havemos ser na morte: Pulvis es, et in pulverem reverteris. Como quem diz: Então sereis mortos, e já agora também cinza e pó; porque se ausentou a alma da nossa vida, que era a imortalidade, e assim ficou vida morta.

Usa a morte com o homem os mesmo termos de crueldade e vexação que usou aquele rigoroso credor do Evangelho com o servo que lhe devia cem dinheiros. Diz o sagrado texto que o pobre, prostrando-se a seus pés, lhe rogava que esperasse pela paga, prometendo que lhe satisfaria inteiramente.

Racionável parece esta petição, mas cuida alguém que a morte se leva disso? Quer que já de presente lhe comecemos a pagar, e tanto nos aperta a garganta, que um Job nem engolir a sua saliva podia. As doenças e achaques são os seus sacadores, que ela manda para arrecadar a sua dívida, ao menos em parcelas; e estes sacadores parece que nos querem tirar os olho, pois só dos olhos, diz Galeno, há cento e quinze diferentes doenças.

A corrupção e os bichos, que, conforme dizia o mesmo Job, são nosso pais, não se contentam com ser nossos herdeiros forçados na sepultura, senão que nos querem herdar em vida. E, ainda que a morte não faça logo a última execução, todavia leva de casa penhores ou usuras: a uns o sentido da vista, a outros o dos ouvidos, a outros algum braço, ou perna, que lhes inutiliza. Porque todo o uso dos nossos sentidos e membros eram partes da dívida do pobre devedor, e depois ficam sendo partes da morte.

Não é tudo isto verdade? Já há muitos séculos que o tinha dito o filósofo Xenocrates, discípulo do divino Platão.

E ainda que a morte se não penhore em doenças e aleijões, sempre tira para um seu irmão muito parecido com ela — que é o sono — a quarta ou terça parte da vida; que não é pequena miséria ser necessária para sustento da mesma vida esta quotidiana contribuição à morte...

Porém não só os defeitos e misérias do corpo nos diminuem e apoucam a vida, senão também os defeitos e misérias da alma. Porque, como disse Sêneca, a puerícia a leva a ignorância; a mocidade a arrebata o furor cego da sensualidade; na idade do meio (que era o mais bem parado da vida) prendem a inveja, ira, cobiça e ambição; ultimamente a velhice fica para as doenças a pasto...


(Tirado de “Nova Floresta”, pde. Manuel Bernardes)

Seria lícita a formação auto-didata da fé?

segunda-feira, 28 de março de 2011

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Texto de Dom Lourenço Fleichman OSB
  • As origens no livre-exame protestante
O que eu gostaria de assinalar é que o mundo moderno é movido por esse espírito da opinião. Em termos de religião, espalhou-se pelo mundo a religião protestante, justamente por causa dessa facilidade do livre exame, que deixa cada um com total liberdade de opinar sobre tudo. Essa troca constante de opiniões será necessariamente superficial, pois parte do princípio de que é a vontade do homem, e não sua inteligência, que elabora o pensamento; é o sujeito que pensa, ou seja, que “acha”, que importa, e não o objeto. Já não conta a Revelação, o dogma, a verdade, mas aquilo que brota de dentro do sujeito.

Por isso, ao debruçar-se sobre as realidades da sua Religião, todo católico deve estar atento ao espírito com que a estuda. Se a crise da Igreja é uma condição que obriga a todos a aprofundar seus conhecimentos do catecismo, da liturgia católica tradicional e da vida da Igreja, não se deve abusar dessa condição, achando que tal estudo possa ser feito sem orientação e sem o auxílio do sacerdote, e que todo mundo tem o discernimento necessário para orientar seu próprio estudo.

Houve época, é verdade, em que as almas foram abandonadas pelos padres e pelos bispos, logo após o Concílio Vaticano II. A graça de Deus permitiu, então, que algumas almas privilegiadas mergulhassem em estudos mais profundos, solitários, sem padres nem paróquias, pois estas estavam contaminadas pelo progressismo. Foi assim que ganharam importância fundamental na defesa da fé movimentos como Itinéraires, na França, ou SiSiNoNo na Itália, Roma, na Argentina, e outros espalhados pelo mundo. Aqui no Brasil, Gustavo Corção foi uma dessas inteligências privilegiadas. A fundação da Permanência foi realizada, em 1968, de modo a fugir da influência dos bispos e padres que, já então, destruiam a fé obrigando aos católicos a aderirem ao Vaticano II.

Estes grandes defensores da fé foram perseguidos e agiram para não abandonar a verdade. Serão expulsos das paróquias, perderão cargos importantes, sofrerão penas injustas e absurdas. A perseguição continuou por décadas, levando muitos a abandonarem nossas fileiras com medo de serem excomungados. Nasciam os neo-conservadores, aqueles que fugiam de Ecône, mas pretendiam manter a missa tradicional, como se isso fosse sinal suficiente de ortodoxia.

  • Seria lícita a formação auto-didata da fé?
Mas até que ponto vai esta necessidade de proteger a fé num mundo inimigo? Hoje, quando a internet aproximou os continentes e as pessoas, onde ninguém mais pode se sentir completamente isolado e sem conhecimentos; hoje, quando a Fraternidade S. Pio X espalhou seus padres pelos cinco continentes e onde seus bispos passam sempre que os fiéis precisam; hoje, onde esses padres da Tradição, formados dentro do espírito católico, rezando seus breviários e suas missas num altar tradicional, aguardam as almas virem como vinham às verdadeiras paróquias, podem os fiéis continuar a fazer sua formação sem a orientação sacerdotal? Podem eles tomar o controle de um apostolado que não lhes cabe, de uma missão que não lhes foi transmitida, como se não houvesse padres e bispos para fazê-lo?( Claro que não!).
Claro está que os padres dos nossos priorados poderão ser mais ou menos simpáticos, mais ou menos acessíveis, uns serão arrogantes, outros humildes; porém isso não é desculpa para ninguém, pois sempre foi assim na vida da Igreja.

A fé sobrenatural é que regula a aproximação filial para receber do sacerdote ou do bispo, mesmo se alguma reserva prudencial ainda deva estar presente. Mas não haveria um abuso alegar que a Fraternidade não é exatamente uma paróquia, o que isentaria os fiéis de uma submissão filial à orientação dos padres?

  • Fonte da submissão sobrenatural
Em que se baseia esta submissão pacífica dos fiéis diante dos seus padres e bispos? Ela vem do sacerdócio. É a instituição do sacramento da Ordem que separa estes homens do meio do povo para que “sejam intercessores entre Deus e os homens” (S. Paulo aos Hebreus).

Ao negar aos padres a colaboração e a submissão, escapando de sua orientação, para fazer sua obrinha pessoal, os leigos da Tradição entram, sem perceber, no mundo protestante do livre exame. Das duas uma: ou bem eles se acham no direito de publicar ou ensinar o que querem, o que seria propriamente protestante; ou eles argumentam que estão nas catacumbas, com a espada na mão, degladiando-se contra tudo e contra todos, sem perceber que diante deles não está mais um bispo progressista, mas um bispo da Tradição; não se pede aos fiéis de se submeterem a um padre laicizado saído do Concílio, mas aos padres formados por Mons. Lefebvre.

Na nossa Permanência, sempre comentamos a singular graça que recebemos – no momento mesmo em que Gustavo Corção morria – da aproximação de Mons. Lefebvre e de seus padres. Corção morreu em julho de 1978. Um ano depois, no início de 1979, recebíamos pela primeira vez a Mons. Lefebvre no Rio de Janeiro. Iniciava-se uma nova fase da nossa vida de defesa da fé. Já não teríamos de nos apoiar num sábio leigo abandonado por todos os padres e bispos, mas iluminado por Deus para conduzir um pequeno grupo de alunos a guardar a fé. Logo após essa vinda de Mons. Lefebvre, iniciou-se o trabalho de padres da Fraternidade S. Pio X entre nós: um acampamento foi realizado numa cidade do interior de Minas Gerais, em 1980, com os padres Faure e Ceriani; um retiro se realizou no Rio Grande do Sul, em 1981, com os padres Faure e Galarreta, então recém-ordenado. Mais tarde veremos aproximarem-se os padres de Campos, com quem manteremos contatos constantes até sua queda em 2001.

Acredito poder afirmar que, pela graça de Deus, soubemos manter o equilíbrio entre os tempos heróicos do isolamento total, quando não tínhamos padres nem instituições eclesiásticas para nos proteger, e os tempos atuais, iniciados naquele ano de 1979, marcados pela orientação segura dos padres e dos priorados da Tradição.

  • O farisaismo dos conservadores
Agora tomemos este primeiro elemento, o livre exame protestante presente na situação atual das almas, mesmo entre católicos, e acrescentemos uma pitada de legalismo. Este não é exatamente um respeito à lei, mas o uso da lei como escora para tirar de seus ombros a responsabilidade por seus atos. O fato das leis atuais serem promulgadas no sentido de destruir a fé e a Igreja não os abalam, e eles continuam invertendo o papel da obediência e o da fé. Como não conseguem olhar para a coisa em si, para o erro tal como ele aparece, mas são viciados na opinião subjetiva e totalmente livre, preferem dizer-se com o papa mesmo quando este erra. Para tanto, falsificam a noção de infalibilidade papal, escondem os erros do papa atribuindo-os a outros, e vivem atados a um sentimentalismo humano em seu relacionamento com o papa. Essa mistura do liberalismo e do legalismo gera esses conservadores que confundem suas próprias opiniões com a verdade.

  • Os teólogos da internet
O advento da internet, como eu dizia, aproximou as pessoas. As próprias instituições tradicionais, como a Fraternidade São Pio X ou, a título de exemplo menor, nossa Permanência, passaram a usar esta ferramenta para difundir a defesa da fé. Pouco a pouco tudo começou a ficar mais fácil na divulgação virtual. Primeiro esta divulgação era de ordem doutrinária, nos grandes sites. O mecanismo de atualização do conteúdo era lento e pesado, e isso limitava os abusos. Os sistema de “blog” com sua agilidade própria, criou uma rapidez na difusão de idéias e notícias que provocou uma verdadeira explosão de opiniões. Não falo nem dos sites de relacionamento, Orkut ou, mais tarde, o Facebook, pois neles atingimos as raias do delírio, onde o livre exame e o reino da opinião são acrescidos do narcisismo de quem quer ser visto e admirado. Essa revolução na difusão das idéias produziu uma nova casta: os teólogos da internet. De repente, por toda parte surgiram os novos doutores de uma novíssima teologia; cada um com sua idéiazinha própria, cada um querendo impor seu ponto de vista, cada um com sua opinião!

Chega a ser engraçado analisar rapidamente o conteúdo desses blogs. A feira é gigantesca, vende-se de tudo, dos grandes doutores sede-vacantistas, dogmatizando tudo e levando o seu Livre Exame Protestante-Tradicionalista ao ponto de esmagar toda e qualquer autoridade acima deles, passando pelos grandes moralistas desenhando roupas exclusivas para a mulher Protestante-Tradicionalita, para chegar, lá em baixo, nos formidáveis jornalistas do neo-Protestantismo-Tradicionalista-Conservador, que, seguindo de perto a escola de Comunicação da Puc, manipulam as notícias para formar opiniões.

Todos eles partem do mesmo princípio: o que eu penso, o que eu acho, minha opinião – isso tudo sendo apresentado como dogma, como verdade infalível, exigindo dos demais submissão, porque tem lá uma lei que, segundo eles, obrigaria a obedecer.

  • Você é um católico da Tradição?
O que deve, portanto, significar de modo profundo e sobrenatural, o termo Tradição? Apenas porque somos ligados à Fraternidade S. Pio X? Ou porque assistimos a missa Tridentina? Ou ainda, porque combatemos Vaticano II? Não é isso que nos faz fiéis da Tradição. Por outro lado, esses conservadores de todos os matizes, pedantes e falsamente obedientes, resvalando como estão na religião da opinião, podem pretender ser católicos da Tradição?


O católico da Tradição é quem, em tudo, age pela Fé sobrenatural: “Meu justo vive de Fé” (Galatas, 3, 11)


O católico da Tradição baseia seu conhecimento naquilo que é verdadeiro, infalível e profundo, buscando a coisa como ela é, na sua realidade, e não na opinião que, subjetivamente, se forma no coração do homem.


O católico da Tradição fortalece seu espírito na Esperança teologal ao se deparar com os erros atuais, inclusive quando são difundidos pelo papa e por Roma; não o escondem, não o justificam, preferindo considerar, com a Imitação de Cristo, o que foi dito e não quem o disse.


O católico da Tradição prova seu amor e seu zelo pela Igreja dando sua vida por Nosso Senhor, não se importando com as duras perseguições que sofre ao denunciar o erro, mas unindo-se ao Cristo crucificado, na Paixão da Igreja.


Na prática, deve sempre o católico da Tradição estudar a doutrina e os eventos relativos à crise da Igreja na sua profundidade, com humildade e espírito de obediência, sempre se perguntando se conhece de fato o que é essencial, e não apenas situações secundárias. Jamais passaria pela cabeça de um católico da Tradição, fazer chacota e piada com os escândalos que nos massacram, como fazem esses superficiais conservadores. E isso é sinal de que não podem ser verdadeiros católicos da Tradição.


Finalmente, o Católico da Tradição reza sem cessar, confia a Deus seus cuidados e seus sofrimentos, pedindo que lhe venham as graças necessárias para perseverar na verdade acima de tudo, preservando-o do espírito superficial e subjetivo.


Só assim poderá o católico desenvolver em sua alma uma personalidade espiritual, a essência do seu catolicismo, a fé verdadeira fundada na verdade e o amor perfeito que dá a vida por Cristo crucificado e pela Igreja.


O problema da reforma litúgica

domingo, 27 de março de 2011

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Salve Maria!

Para poder ler, clique no texto abaixo, assim ficará legível o resumo. Obrigada.



E antes que inocentes pensem que este "homem novo" seja uma coisa boa; porque este termo é muito usado na liturgia nova; saibam que este "homem novo" é produto não da ação de Deus e sim da vontade de iluministas, maçons, protestantes, ateus e toda corja que teima em permanecer dentro da Santa Igreja Católica, mas o Apóstolo João bem os descreveram:

"Eles saíram dentre nós, mas não eram dos nossos. Se tivessem sido dos nossos, ficariam certamente conosco. Mas isto se dá para que se conheça que nem todos são dos nossos" - 1João 2, 19


EXAME DE CONSCIÊNCIA para o tempo Quaresmal

terça-feira, 1 de março de 2011

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Mandamentos da Lei de Deus



O QUE DEUS NOS ORDENA: Que abracemos a fé, que devemos alimentar pela oração, atos de piedade e comunhão freqüente. Tenhamos esperança de que Ele nos dará o Céu e as graças para o merecermos. Que O amemos acima de tudo, Lhe porventura mande para nos purificar. Que em cada um dos nossos irmãos vejamos o próprio Cristo, e os amemos como Ele nos amou ao ponto de morrer por nós. Que façamos da nossa vida uma oração agradável a Deus, atribuindo-Lhe tudo o que somos e fazemos.

O QUE DEUS NOS PROÍBE: Que omitamos ou sejamos negligentes em fazer as nossas orações da manhã e da noite e em receber os sacramentos. Confissões e comunhões sacrílegas. Práticas supersticiosas. Dúvidas voluntárias contra a fé. Pôrem perigo a fé por leituras inconvenientes. Indiferença religiosa. Respeitos humanos, fonte de covardias. Falta de confiança na Providência ou confiança presunçosa nas próprias forças. Falta de coragem, desespero. Resistência à graça. Oração sem alma, maquinal e rotineira.


O QUE DEUS NOS ORDENA: Compenetrar-se bem da grandeza e santidade divinas. Respeitar as pessoas e as coisas consagradas ao seu culto. Cumprir os votos que se fizeram.

O QUE DEUS NOS PROÍBE: Blasfêmias, isto é, injúrias para com Deus. Uso vão do seu Santo nome. Juramentos falsos ou inúteis. Desejar o mal ao próximo, ou a si mesmo.


O QUE DEUS NOS ORDENA: Consagração do domingo a Deus, pela assistência à Santa Missa (ou a santificação do domingo quando a Missa não está disponível) e a abstenção de ocupações servis.

O QUE DEUS NOS PROÍBE: Trabalhar no domingo sem necessidade ou autorização. Mau comportamento ou dissipações na igreja. Busca de distrações contrárias à santificação do dia do Senhor.


O QUE DEUS NOS ORDENA: Em relação aos nossos pais - amor, obediência, respeito, assistência; rezar por eles, vivos ou mortos. Em relação aos filhos: educação religiosa, bom exemplo. Na família: contribuir para a felicidade e o bom entendimento de todos; disponibilidade, polidez, delicadeza. Em relação aos superiores: submissão e respeito. Em relação ao Estado: contribuir para o bem comum; dever eleitoral; pagamento de impostos.

O QUE DEUS NOS PROÍBE: Desobediência, falta de respeito, ingratidão para com os nossos pais e superiores; desentendimento e divisões na família. Recusar participar nos encargos da comunidade.


O QUE DEUS NOS ORDENA: Alegrar-se com a felicidade dos outros e para ela contribuir na medida do possível; sofrer com o infortúnio do nosso próximo e procurar aliviá-lo.

O QUE DEUS NOS PROÍBE: Insultos, recusar o perdão, inveja, desprezo, ódio. Desejar a morte ou má sorte a outrem, desejo de vingança. Golpes, feridas,mutilações, homicídios, aborto. Atentar contra a saúde por intemperança. Escândalo por maus exemplos, conselhos, aprovações ou silêncio; egoísmo, indiferença pela miséria e necessidade dos outros.

Obs.: O aborto é castigado pela Igreja com uma excomunhão.


6º, 9º O QUE DEUS NOS ORDENA: Respeito para com o nosso corpo, membro do Corpo Místico e templo do Espírito Santo. Emprego das forças da nossa vida no plano providencial da criação continuada; pureza, fidelidade e generosidade no amor conjugal. Fugir das ocasiões do pecado e luta contra os maus hábitos.

O QUE DEUS NOS PROÍBE: Pensamentos ou desejos impuros provocados voluntariamente, em si ou nos outros. Conversas inconvenientes. Canções licenciosas. Leituras e espetáculos imorais. Modas provocantes. Galanteios perigosos. Afeições ou familiaridades condenáveis. Danças lascivas. Ações contrárias à castidade. Contatos desonestos. Imprudência e leviandade no namoro. Adultério. Atentados contra a fecundidade do matrimônio.

Obs.: Devem-se precisar as circunstâncias que mudam a espécie do pecado (adultério, incesto, homossexualidade, bestialidade, pedofilia, etc.). A pessoa que não quer renunciar à ocasião próxima do pecado não pode receber a absolvição nem seguir comungando.


7º, 10º O QUE DEUS NOS ORDENA: Considerar os bens deste mundo como meios e não como fins. Usar deles para maior bem de todos, sem egoísmo. Respeitar a justiça e a eqüidade, em todos os domínios. Reparar o injusto dano causado. Restituir o que injustamente se retém. Dar esmola segundo as suas posses. Ter consciência profissional.

O QUE DEUS NOS PROÍBE: Roubo, receptação, danificação injusta causada nos bens de outrem. Fraude, negócios desleais, faltas de lealdade no trabalho, no comércio, nos contratos: maneiras modernas de disfarçar o roubo. Cooperar na injustiça, seja de que maneira for, ativa ou passivamente. Salários insuficientes. Negligência em pagar as dívidas. Exploração dos fracos; avareza, apego ao dinheiro, cobiça. Esbanjamento. Desejo de roubo ou injustiça.


O QUE DEUS NOS ORDENA: Amar e servir a verdade. Ser sincero e leal. Respeitar a honra e o bom nome do próximo.

O QUE DEUS NOS PROÍBE: A mentira com ou sem prejuízo de outrem. Calúnias ditas ou aprovadas. Falsos testemunhos. Juízos temerários. Violação de segredo confiado ou do sigilo profissional. Simulações e hipocrisia.


Pecados Capitais

Este exame não é a repetição do dos mandamentos. Aqui trata-se propriamente não de atos isolados, mas de hábitos maus, fonte de pecado. Interroguemo-nos, em primeiro lugar, se combatemos o nosso defeito dominante e se trabalhamos eficazmente para desenvolver as virtudes contrárias.

ORGULHO: Desprezo dos outros, amor próprio, complacência em si mesmo, ambições excessivas, vaidade, arrogância, susceptibilidade, afetação. Ser escravo do "que dirão" e da moda.

AVAREZA: Vícios contrários aos 7º e 10º mandamentos. Apego excessivo ao dinheiro ou a outras coisas. Não fazer esmolas com algo do meu supérfluo.

LUXÚRIA: Vícios contrários aos 6º e 9º mandamentos.

INVEJA: Inveja da felicidade, dos bens e êxitos dos outros. Alegrar-se com as desgraças do próximo. Ciúmes.

GULA: Excesso no comer e no beber, gulodice, embriaguez. Requintes excessivos, abusos de guloseimas. Despesas excessivas de mesa. Sensualidade.

CÓLERA: Falta de autodomínio, exaltação, rancor, ressentimentos, mau humor, movimentos bruscos, grosserias, crueldades.

PREGUIÇA: No levantar de manhã, no trabalho, nas obrigações religiosas; indolência, negligência, moleza, ociosidade. Perdas de tempo com futilidades.


Virtudes que devemos praticar

A vida moral gira ao redor das três virtudes teologais e das quatro virtudes cardeais. Para cada virtude mencionamos os atos principais que se devem praticar, e logo os pecados contrários.




Devemos: Crer tudo o que Deus nos revelou, e nos ensina por sua Igreja. Amar a Tradição e desconfiar das novidades. Estudar o catecismo e a doutrina cristã. Leitura espiritual. Fazer freqüentes atos de fé, especialmente ao receber os sacramentos, ao rezar, etc. Conformar nossa conduta aos princípios da fé. Professar com valor nossa fé e saber defendê-la. Ser apóstolo. Lutar contra o erro.

É pecado: Rejeitar alguma verdade revelada. Consentir nas dúvidas contra a fé.Indiferentismo (pensar ou dizer que todas as religiões são boas). Viver todo o dia sem Deus. Esconder sua fé por covardia.


ESPERANÇA

Devemos: Pensar com freqüência no Céu e nos bens eternos. Desejá-los ardentemente. Desprezar os bens e prazeres desta vida. Viver em um santo temor de ofender a Deus.

É pecado: Desconfiar da bondade e providência de Deus. Pretender que é impossível viver como verdadeiro cristão. Não pedir a graça para isso. Pôr toda sua confiança nas suas próprias forças e não em Deus. Presunção (valer-se da misericórdia de Deus para pecar). Pôr-se em ocasião de pecado.


CARIDADE

Devemos: Amar a Deus mais que tudo, e ao próximo por amor de Deus. Fazer freqüentes atos de amor a Deus. Viver em sua presença. Buscar agradar-lhe em tudo. Desejo da perfeição. Servi-lo com alegria. Procurar que Jesus reine. Exame de consciência diário. Confissão freqüente. Visita ao Santíssimo Sacramento. Estimar e honrar a nossos irmãos. Assisti-los e ajudá-los. Suportar seus defeitos. Delicadeza no trato com os demais. Guardar-se da murmuração. Esmolas. Buscar com zelo o bem das almas.

É pecado: Indiferença religiosa e tibieza espiritual. Não obrar com intenção reta. Fazer as coisas para ser visto dos homens. Afeto excessivo pelas criaturas. Ódio ao próximo. Desprezo. Rancores. Julgar mal aos demais. Falar mal deles. Murmuração. Inveja. Discórdias. Disputas. Dar mau exemplo. Causar escândalo. Aprovar a má conduta dos amigos.


PRUDÊNCIA

Devemos: Obrar em tudo com prudência e inteligência, segundo o que convém para alcançar nossa salvação e perfeição. Refletir antes de agir. Docilidade para aprender da experiência. Docilidade aos conselhos do diretor espiritual, dos superiores, dos amigos. Organização. Prontidão para obrar o bem.

É pecado: Precipitação. Fazer tudo "de qualquer jeito". Inconstância. Negligência. Usar de astúcia e pequenos enganos para "sair limpo". Perder o tempo.


JUSTIÇA

Devemos: Antes morrer que cometer qualquer injustiça. Restituir se é o caso. Fazer passar o bem comum antes que o interesse próprio. Ter o culto do dever. Amar o trabalho bem feito. Obedecer aos seus superiores e buscar o bem de seus inferiores. Usar seus bens para a utilidade de todos e não somente para a própria. Amar e ajudar à família e à pátria.

É pecado: Prometer muito e não cumprir nada. Não devolver o emprestado. Avareza. Chegar sempre tarde ao trabalho, às suas nomeações, à Missa! Descuidar de suas obrigações. Não pedir perdão por suas faltas ou erros.


RELIGIÃO

Devemos: Entregar-nos a Deus com fervor, para cumprir sua vontade. Rezar com atenção e perseverança. Devoção terna e sólida à Santíssima Virgem, aos Anjos e a todos os santos. Reparar pelos pecados e consolar o Coração Imaculado de Maria. Imitar suas virtudes. Meditação. Rosário só ou em família. Adorar a Deus e oferecer-lhe sacrifícios. Assistir com freqüência à Santa Missa. Santificar o domingo.

É pecado: Falta de contrição na confissão, de fervor na comunhão e ação de graças, e de atenção nas orações. Não cumprir seus votos.


FORTALEZA

Devemos: para salvar-nos estar dispostos a morrer ou sofrer qualquer coisa antes que pecar gravemente. Sofrer com paciência. Atacar com valor e audácia os obstáculos postos ao bem. Desejar fazer coisas grandes. Preparar nossa alma para o martírio se Deus se dignasse chamar-nos a ele. Perseverar no bem durante toda a nossa vida, apesar das dificuldades.

É pecado: Temer mais os males temporais que o inferno. Apartar-se do bem por temor ou debilidade. Expor-se ao perigo com temeridade, confiando demasiado em suas forças. Ambição, vã glória, jactância, hipocrisia (fingir uma virtude que não se tem). Molície (fugir de todo esforço, e render-se à primeira dificuldade). Preguiça. Ócio. Desalento.


TEMPERANÇA

Devemos: usar dos bens sensíveis segundo as necessidades da vida presente. Fugir das coisas torpes, amar a beleza da virtude. Abstinência e sobriedade nas comidas. Pequenas privações. Jejuns. Castidade e pudor. Evitar todo contato sensual. Fugir das ocasiões. Mortificar a imaginação, pensamentos de vaidade, invejas, etc. Mortificar sobretudo a vontade própria com a obediência. Reconhecer facilmente suas faltas ou erros e pedir perdão. Não singularizar-se em nada. Não buscar o êxito senão o serviço de Deus. Aceitar e amar as humilhações, que são o que mais nos santifica. Mansidão. Modéstia. Amor da pobreza, moderação e simplicidade. Amar o silêncio, recolhimento.

É pecado: Gula. Comer fora de tempo ou com excesso. Falar demasiado e com bufonaria. Luxúria (ver o Sexto Mandamento). Danças licenciosas. Maus olhares. Ver e desejar ver programas maus na televisão. Drogas, etc. Insensibilidade e crueldade. Soberba. Susceptibilidade. Respeito humano e medo do "que dirão". Não aceitar nenhuma observação. Amor desordenado da própria liberdade e independência. Curiosidade nas coisas más ou inúteis. Excesso no jogo e diversões. Não tomar nada a sério.


Fonte: - Missal Romano Quotidiano por Dom Gaspar Lefebvre, 1963.
- Devocionário da Fraternidade Sacerdotal São Pio X – Distrito da América do Sul.

O golpe de mestre de satanás!

domingo, 30 de janeiro de 2011

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O inimigo mortal do homem não perde tempo.

O Protestantismo arrancou meia Cristandade da Igreja. A Revolução Francesa e a democracia aniquilaram sua influência na esfera civil. Com o Concílio Vaticano II, chega finalmente ao seu coração.

“Liberdade”, “igualdade” e “fraternidade”, ideal assumido pela Igreja sob a nova face de “liberdade religiosa”, “colegialidade” e “ecumenismo”.

A jogada, envenenar o Corpo Místico de Cristo.

O meio, que a autoridade eclesiástica hasteie e imponha os princípios da Revolução.

O fim, a autodestruição da Igreja pela via da obediência
 

O golpe de mestre de satanás


Sabemos pelo Gênesis e melhor ainda pelo próprio Nosso Senhor que Satanás é o pai da mentira. No versículo 44, capítulo 8 do Evangelho de São João, Nosso Senhor interpela os judeus dizendo-lhes:

“Vós sois filhos do demônio, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele foi homicida desde o princípio, e não permaneceu na verdade; porque a verdade não está nele; quando ele diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira...”

Satanás é homicida nas perseguições sangrentas, pai da mentira nas heresias, em todas as falsas filosofias e nas palavras equívocas que estão na base das revoluções, das guerras mundiais, das guerras civis.

Não cessa de atacar Nosso Senhor em seu Corpo Místico: a Igreja. No curso da História empregou todos os meios, dos quais um dos últimos e mais terríveis foi a apostasia oficial das sociedades civis. O laicismo dos Estados foi e será sempre um escândalo imenso para as almas dos cidadãos. E é por esse subterfúgio que conseguiu laicizar pouco a pouco e fazer perder a fé numerosos membros da Igreja, a tal ponto que esses falsos princípios de separação da Igreja e do Estado, da liberdade das religiões, do ateísmo político, da autoridade que toma sua origem dos indivíduos, terminaram por invadir os seminários, os presbitérios, os bispados e até o Concílio Vaticano II.

Para fazer isso, Satanás inventou palavras chaves que permitiram que os erros modernos e modernistas penetrassem no Concílio: a liberdade foi introduzida mediante a Liberdade religiosa, ou Liberdade das religiões; a igualdade, mediante a Colegialidade, que introduz os princípios do igualitarismo democrático na Igreja e, finalmente, a fraternidade mediante o Ecumenismo que abraça todas as heresias e erros e oferece a mão a todos os inimigos da Igreja. O golpe de mestre de Satanás será, por conseguinte, difundir os princípios revolucionários introduzidos na Igreja pela autoridade da própria Igreja, pondo esta autoridade em uma situação de incoerência e de contradição permanente; enquanto este equívoco não for dissipado, os desastres se multiplicarão na Igreja. Ao se tornar equívoca a liturgia, se torna equívoco o sacerdócio, e tendo ocorrido o mesmo com o catecismo, a Fé, que não se pode manter senão na verdade, se dissipa. A própria Hierarquia da Igreja vive em um equívoco permanente entre a autoridade pessoal, recebida pelo sacramento da Ordem e a Missão de Pedro ou do Bispo e os princípios democráticos.

É preciso reconhecer que a trapaça foi bem feita e que a mentira de Satanás foi utilizada maravilhosamente. A Igreja vai destruir a si mesma por via da obediência. A Igreja vai se converter ao mundo herege, judeu, pagão, pela obediência, mediante uma Liturgia equívoca, um catecismo ambíguo e cheio de omissões e de novas instituições baseadas sobre princípios democráticos.

As ordens, as contra-ordens, as circulares, as constituições, as cartas pastorais serão tão bem manipuladas, tão bem orquestradas, mantidas pela onipotência dos meios de comunicação social, pelo que resta dos movimentos da Ação Católica, todos marxizados, que todos os fiéis honrados e os bons sacerdotes repetirão com o coração quebrado mas consentindo: Temos que obedecer! A quem, a que? Não se sabe exatamente: à Santa Sé, ao Concílio, às Comissões, às Conferências Episcopais? Qualquer um aqui se perde como nos livros litúrgicos, nos ordos diocesanos, na emaranhada bagunça dos catecismos, das orações do tempo atual, etcétera. Temos que obedecer, com perigo de se tornar protestante, marxista, ateu, budista, indiferente, pouco importa! Temos que obedecer através das negações dos sacerdotes, da inoperância dos Bispos, salvo para condenar àqueles que querem conservar a Fé, através do matrimônio dos consagrados a Deus, da comunhão aos divorciados, da inter-comunhão com os hereges, etc. Temos que obedecer! Os seminários se esvaziam e são vendidos como os noviciados, as casas religiosas e as escolas; se saqueiam os tesouros da Igreja, os sacerdotes se secularizam e se profanam em sua vestimenta, em sua linguagem, em sua alma!... temos que obedecer. Roma, as Conferências Episcopais, o Sínodo presbiterial o querem. É o que todos os ecos das Igrejas, dos jornais, das revistas repetem: aggiornamento, abertura ao mundo. Desgraçado seja aquele que não consente. Tem direito a ser pisoteado, caluniado, privado de tudo o que lhe permitiria viver. É um herege, é um cismático, que merece unicamente a morte.

Satanás conseguiu verdadeiramente um golpe de mestre: consegue fazer com que sejam condenados aqueles que conservam a fé católica por aqueles mesmos que a deveriam defender e propagar.

Já é tempo de encontrar novamente o senso comum da fé, de reencontrar a verdadeira obediência à verdadeira Igreja, oculta sob essa falsa máscara do equívoco e da mentira. A verdadeira Igreja, a Santa Sé verdadeira, o Sucessor de Pedro, os Bispos enquanto submetidos à Tradição da Igreja, não nos pedem e não nos podem pedir que nos tornemos protestantes, marxistas ou comunistas. Pois bem, se poderia crer ao ler certos documentos, certas constituições, certas circulares, certos catecismos que nos pedem que abandonemos a verdadeira Fé em nome do Concílio, de Roma, etc.

Devemos negar a tornarmo-nos protestantes, a perder a Fé e a apostatar como o fez a sociedade política depois dos erros difundidos por Satanás na Revolução de 1789. Recusamo-nos a apostatar, ainda que fosse em nome do Concílio, de Roma, das Conferências Episcopais.

Permanecemos aderidos, sobretudo, a todos os Concílios dogmáticos que definiram a perpetuidade de nossa Fé. Todo católico digno desse nome deve rejeitar todo relativismo, toda evolução de sua fé no sentido de que o que foi definido solenemente pelos Concílios em outros tempos deixaria de ser válido hoje e poderia ser modificado por outro Concílio, com maior ainda razão se é simplesmente pastoral.

(...)

Se parecemos estar em uma situação anormal é porque aqueles que hoje têm a autoridade na Igreja queimam o que antes haviam adorado e adoram o que antes era queimado.


Os que se apartaram da via normal e tradicional são aqueles que terão que voltar ao que a Igreja sempre ensinou e ao que sempre realizou.Como poderá ocorrer isso? Humanamente falando, parece sim que somente o Papa, digamos um Papa, poderá restabelecer a ordem destruída em todos os campos.


Mas é preferível deixar estas coisas à Providência divina.

No entanto, nosso dever consiste em fazer tudo para conservar o respeito à Hierarquia na medida em que seus membros ainda formam parte dela, e saber fazer a distinção entre a instituição divina à qual devemos estar muito aferrados, e os erros que podem professar alguns maus pastores. Devemos fazer o que for possível para iluminá-los e convertê-los com nossas orações, e nosso exemplo de mansidão e firmeza.


Excertos do Texto de Dom Marcel Lefebvre.

Os padres da Igreja Conciliar devem ser “reordenados” ao virem para a Tradição?

sábado, 15 de janeiro de 2011

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Dom Fellay em ordenação na Argentina

Textos essenciais em tradução inédita – XLVII
Por aciesordinata

Os padres da Igreja Conciliar devem ser “reordenados” ao virem para a Tradição?
Pe. Peter Scott, da FSSPX

A partir do original contido no sítio oficial da FSSPX:
http://www.sspx.org/miscellaneous/conditional_ordination.pdf


Mais e mais padres ordenados no rito novo estão se voltando para a Missa tradicional. Porém, como já se passaram cerca de quarenta anos desde a introdução do novo rito de ordenação, alguns católicos tradicionais questionam a validade da ordenação desses padres e hesitam em deles receber os sacramentos. É verdade que, na prática, cada caso é diferente e deve ser decidido pelos superiores.
Todavia, a seguinte explicação dos princípios que formam a base dessas decisões pode ser de ajuda para entendê-las.

1) Os três sacramentos que conferem caráter não podem ser repetidos.

Este princípio já estava estabelecido, com respeito ao sacramento do Batismo, na epístola do Papa Santo Estêvão I a São Cipriano, condenando a prática deste de rebatizar hereges ao recebê-los na Igreja. Isso também foi definido pelo Concílio de Trento, que declarou um anátema contra quem defende que os três sacramentos que imprimem marca indelével – a saber, o Batismo, a Confirmação e as Ordens Sagradas – possam ser repetidos (Seção VII, Cânon 9, Dz. 852).

2) Quando se trata da validade dos sacramentos, somos obrigados a seguir posição “tuciorista” [de “tutior pars” (ndt)], isto é, a linha de ação mais segura possível.

Não podemos – como somos por vezes obrigados a fazer noutras questões morais – escolher uma opinião menos certa, chamada pelos teólogos moralistas de maneira simplesmente provável de agir, a qual poderia pôr em dúvida a validade dos sacramentos. Se pudéssemos seguir um modo de agir que tem menos certeza, correríamos o risco de grave sacrilégio e incerteza concernente aos sacramentos, o que poria em grande perigo a salvação eterna das almas. Mesmo os teólogos “probabilistas” laxos admitiram esse princípio com respeito ao Batismo e às Ordens Sacras, já que a opinião contrária foi condenada pelo Papa Inocêncio XI, em 1679. Inocêncio XI condenou a posição de que é permitido, “na confecção dos sacramentos, seguir uma opinião provável acerca do valor do sacramento, ficando abandonada a opinião mais segura… Portanto, não se pode fazer uso de opiniões prováveis na confecção do Batismo e das Ordens sacerdotais e episcopais.” (Proposição 1.ª condenada e proibida por Inocêncio XI, Dz. 1151).

Consequentemente, é proibido aceitar uma ordenação provável, ou provavelmente válida, para a subsequente confecção dos sacramentos. É preciso ter a maior certeza moral possível, assim como nas outras coisas necessárias para a salvação eterna.

Os próprios fiéis entendem esse princípio, o qual é, de fato, parte do “sensus Ecclesiae”, o espírito da Igreja. Eles não querem partilhar de ritos liberais e modernistas e têm aversão a receber os sacramentos de padres ordenados nesses ritos, pois não podem tolerar dúvida nessas questões. É por essa razão que eles dirigem-se aos superiores, para garantir a validade.

3) Dúvida negativa deve ser desprezada.

Este axioma é aceito por todos os teólogos moralistas. Dúvida negativa é uma dúvida que não está baseada em razão alguma. É a pergunta “e se…?” que frequentemente fazemos sem absolutamente nenhuma razão. Uma dúvida assim não pode enfraquecer a certeza moral e não é razoável (cf. Prummer, Manuale Theologiae Moralis, I, §328). Consequentemente, não podemos questionar a validade de um sacramento como o de Ordens Sagradas sem ter razão positiva para tanto, ou seja, razão para crer que possa haver algum defeito num dos três elementos necessários para a validade: matéria, forma e intenção.

4) Quando surge dúvida na administração de um sacramento que não pode ser repetido, é possível e mesmo obrigatório reiterar o sacramento “sub conditione”, isto é, sob a condição de [= “para o caso de” (ndt)] ter sido inválido da primeira vez.

Desse modo, tanto a certeza moral sobre a administração do sacramento é adquirida, como o sacrilégio da simulação de sacramento já administrado é evitado. Fala-se disso com frequência nas rubricas do Rituale Romano, por exemplo no caso de convertidos adultos da heresia, havendo dúvida positiva quanto à validade do seu Batismo, ou mesmo crianças enjeitadas que “devem ser batizadas condicionalmente, a não ser que haja certeza, pela devida investigação, de que já foram batizadas”. A condição é exprimida como segue: “se não és batizado…”. Na realidade, o costume antes do Vaticano II era batizar todos os adultos convertidos do protestantismo, na impossibilidade de garantir com certeza moral a forma, ou intenção, ou simultaneidade da matéria e forma necessárias para haver certeza da validade. Assim também, é costume administrar condicionalmente o sacramento da Confirmação aos confirmados no novo rito, no caso frequente de que uma válida forma e intenção não possa ser verificada com certeza.

Em circunstâncias semelhantes, não há sacrilégio em reiterar condicionalmente uma ordenação sacerdotal, como fez o próprio Arcebispo Lefebvre muitas vezes.

5) A matéria e a forma do rito latino de ordenação sacerdotal introduzido pelo Papa [sic (ndt)] Paulo VI em 1968 não [sic (ndt)] estão sujeitas a dúvida positiva.

São elas, com efeito, praticamente idênticas àquelas definidas pelo Papa Pio XII em 1947 na Sacramentum Ordinis. (Nisso, a ordenação sacerdotal difere do sacramento da Confirmação, o qual faz uso, no rito novo, de uma forma totalmente diferente e variável, cuja validade tem sido questionada.)

Contudo, essa certeza moral pode não existir, necessariamente, com as traduções vernáculas da forma, que teriam de ser conferidas, para excluir toda a dúvida positiva. Uma mudança desse tipo foi a tradução provisória, pela ICEL [International Commission on English in the Liturgy = Comissão Internacional para o Inglês na Liturgia (ndt)], da forma mesma, substituindo a expressão tradicional “Conferi a dignidade do sacerdócio” por “Dai a dignidade do presbiterado”. Michael Davies comenta: “Em países anglófonos, nunca se fez referência ao sacerdócio como presbiterado” (The Order of Melchisedech [A Ordem de Melquisedeque], 1.ª ed., p. 88). Nem sempre é fácil determinar qual tradução para o inglês foi empregada, e se ela induz ou não a uma dúvida positiva.

Não de modo infrequente, o Arcebispo Lefebvre é citado declarando que a Missa Nova é uma Missa bastarda, e que o mesmo pode ser dito dos novos ritos dos sacramentos, como as Ordens Sacras. Como podem Missa e sacramentos tais serem válidos? Na realidade, a expressão é tradução pobre do francês “messe bâtarde”, que é corretamente traduzida como “Missa ilegítima”, ou “ritos ilegítimos”, sendo fruto de união adulterina entre a Igreja e a Revolução, e não tendo a expressão francesa a força pejorativa da equivalente em inglês. Essa expressão salienta a natureza ilícita de um tal compromisso, mas não tem repercussão direta sobre a validade dos ritos. Ele explicou isso durante o sermão que deu em Lille em 1976:

“A Missa Nova é uma espécie de Missa híbrida, que não é mais hierárquica; é democrática, nela a assembleia toma o lugar do padre, e assim não é mais a verdadeira Missa que afirma a realeza de Nosso Senhor.” (A Bishop Speaks [Um Bispo Fala], Angelus Press, p. 271).

É por essa razão que ele chamou a Missa tradicional de “verdadeira” Missa, não tencionando por aí questionar a validade das Missas celebradas no novo rito.

Os novos ritos de ordenação são semelhantemente ilegítimos, pois não expressam adequadamente a Fé Católica no sacerdócio. Ao escrever muito vigorosamente contra eles, o Arcebispo Lefebvre não tencionava declarar sua invalidez. Ele declarou muito claramente, na Carta Aberta aos Católicos Perplexos, citando partes da cerimônia que, certamente, não são parte da forma do sacramento e, por conseguinte, não são necessárias para a validade, que uma tal cerimônia destrói o sacerdócio:

“Tudo está ligado; abalando-se a base do edifício, se o destrói inteiramente. Não mais missa, não mais sacerdotes. O ritual, antes de ser reformado, fazia o bispo dizer: ‘Recebei o poder de oferecer a Deus o Santo Sacrifício e de celebrar a Santa Missa, tanto pelos vivos como pelos mortos, em nome do Senhor’. Ele havia previamente benzido as mãos do ordenando ao pronunciar estas palavras: ‘A fim de que tudo que elas abençoarem seja abençoado e tudo o que consagrarem seja consagrado e santificado…’ O poder conferido é expresso sem ambiguidade: ‘Que eles operem para a salvação de vosso povo, e pela sua santa bênção, a transubstanciação do pão e do vinho no corpo e no sangue de vosso divino Filho.’ O bispo diz agora: ‘Recebei a oferenda do povo santo para apresentá-la a Deus.’ Ele faz do novo sacerdote antes um intermediário do que o detentor do sacerdócio, do que um sacrificador. A concepção é toda diferente.”
[Trad. br., com leves retoques, extraída da edição que se encontra no site da Permanência. (ndt)]

Apesar dessas palavras tão firmes, o Arcebispo teve isto a dizer: “A ‘matéria’ do sacramento foi preservada: é a imposição das mãos que se dá a seguir, e a ‘forma’ igualmente: são as palavras da ordenação” (Ibid.). A destruição de que ele está falando é a da Missa como ela deve ser e do sacerdócio como ele deve ser. A intenção dele é, consequentemente, frisar que é a noção católica do sacerdócio que é destruída, não necessariamente a validade do sacramento de Ordens Sagradas.

Salve Maria!


Acima uns excertos sobre o texto referente ao link indicado da FSSPX (Pe. Peter Scott). Achei este texto extremamente interessante e por isto resolvi dividi-lo com vcs leitores do Blog Santa Mãe de Deus!. Apesar d'eu não fazer parte da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, confesso que tenho por eles grande admiração.

Sigamos firmes, porém de olhos bem abertos!

Fiquemos com Deus!
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As relíquias de São Pedro

domingo, 26 de setembro de 2010

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A prova irrefutável da origem apostólica da Igreja Romana

Em todos os tempos a Igreja de Roma ocupou um lugar totalmente privilegiado na Igreja católica. Quando ainda vivia em Efeso o Apóstolo São João, os coríntios escreveram ao Papa São Clemente de Roma para dirimir as suas controvérsias. Este apelo à autoridade romana renovou-se regularmente no decurso dos séculos, por exemplo, no momento da controvérsia sobre a data da Páscoa, com o Papa São Victor, e quando surgiu a controvérsia sobre o batismo dos hereges, no tempo do Papa Santo Estevão. Esta prática era, de fato, o reflexo da primazia conferida por Cristo a São Pedro, primazia que foi definida ante todo o mundo pelos concílios. Mas esta primazia de Roma, além do seu aspecto teológico, tem um aspecto histórico: São Pedro veio a Roma, ocupou a sede episcopal desta cidade, morreu nela, e foi ali enterrado.É verdade que, nos tempos da reforma protestante, se colocou em dúvida esta certeza histórica, como mostram as palavras de Lutero: “Eu atrevo-me a dizer, pois o ouvi em Roma, que ninguém sabe com certeza onde repousam os restos de São Pedro e São Paulo, nem tampouco se estão aí de fato. O Papa e os cardeais sabem perfeitamente que é algo duvidoso”. (Contra Papatum Romanum, a diabolo inventum – Contra o Papado Romano, invento do diabo).


Para não descuidar os fundamentos históricos e apologéticos da nossa fé católica, vamos estabelecer os pontos seguintes: o martírio de São Pedro em Roma e a existência do seu túmulo sob o altar-mor da basílica de São Pedro.




O MARTÍRIO DE SÃO PEDRO EM ROMA

 
São Pedro veio a Roma e em Roma morreu


Antes de estabelecer de um modo positivo o fato do martírio de São Pedro em Roma, convém recordar esta prova negativa: que ninguém assinalou nunca para a tumba de São Pedro um lugar diferente de Roma.


Mas podemos ir mais longe, já que a Sagrada Escritura nos permite estabelecer positivamente o fato do martírio de São Pedro em Roma. Assim, a 1ª epístola de São Pedro: “Saúda-vos a igreja que está em Babilônia” (5, 13). A Tradição estabelece que São Pedro ocupou sucessivamente as sedes episcopais de Jerusalém, Antioquia e Roma; mas também demonstra que nunca esteve em Babilônia. Assim pois, como saúda da parte da igreja que está em Babilônia?


A resposta não oferece dúvidas para os contemporâneos dos judeus do século I: Babilônia era o nome que São Pedro dava a Roma por causa da sua corrupção. Assim, com este texto tão curto, São Pedro situa-nos no itinerário da sua estadia em Roma.


Estes elementos foram definitivamente confirmados pelos primeiros Padres apostólicos, como São Clemente de Roma, o terceiro sucessor de São Pedro na sé romana, que nos fala da perseguição de Nero e do martírio de São Pedro e São Paulo como fatos históricos (1ª carta aos Coríntios, 1, 5-6). E Santo Inácio de Antioquia que, de caminho para Roma, assinala numa carta aos romanos o martírio de São Pedro e São Paulo nesta cidade (Carta aos Romanos 4).



São Pedro morreu crucificado


Outra passagem da Sagrada Escritura, o último capítulo do Evangelho de São João, permite-nos vislumbrar que gênero de suplício ia sofrer S. Pedro, pois Nosso Senhor lhe predisse: “Em verdade te digo que quando eras jovem tu mesmo te cingias e andavas onde querias; mas quando fores velho estenderás as tuas mãos e outro te levará para onde não queres. Disse isto para indicar com que morte ia dar glória a Deus. Dito isto, acrescentou: segue-me” (21, 18-19).


Com estas palavras se anunciou ao chefe dos Apóstolos que ia seguir Nosso Senhor (“Segue-me”) e também a maneira como ia morrer (“Estenderás as tuas mãos”). A tradição que refere que foi crucificado de cabeça para baixo funda-se nos Fatos de Pedro (apócrifo) e na História Eclesiástica de Eusébio de Cesárea (3, 1-2).


São Pedro nas colinas vaticanas


O Vaticano é um lugar que se situa na margem direita do Tibre. Julgado como insalubre, o lugar foi destinado a vários usos, mas a maior parte do terreno fazia parte dos jardins de Nero. Nesse lugar encontrava-se o circo do imperador (começado na realidade por Calígula e terminado por Nero), alguns palácios à borda do Tibre, casas de pastores e cemitérios.


Vários autores cristãos do século II atestam que São Pedro deu a sua vida por Cristo neste circo de Nero. Mas muito mais importante é o testemunho de Tácito nos seus Anais (15, 38-45), onde nos conta o incêndio que devastou Roma de 18 a 28 de Julho do ano 64. Nero tinha a idéia de reconstruir rapidamente a cidade, e os seus projetos fizeram recair sobre ele as suspeitas de ter causado o incêndio. Nesse momento, Nero acusou os cristãos do delito e fê-los martirizar nos jardins do Vaticano. Tácito confirma-nos igualmente que um dos suplícios do circo de Nero foi a crucifixão.

 


O TÚMULO DE SÃO PEDRO EM ROMA




As escavações de São Pedro


Desde tempos imemoriais, a tradição situava o túmulo de São Pedro sob o altar da basílica vaticana. Assim, o sábio Gayo, já em tempos do Papa Zeferino (198-217), fala-nos dos “despojos de São Pedro no Vaticano” (Eusébio de Cesárea, História Eclesiástica II, 25, 5-7). Contudo, apesar das construções sucessivas da basílica vaticana, não se tinha realizado nenhuma investigação sistemática, com receio de cometer um sacrilégio ou pela crença numa maldição.


Houve que esperar até 28 de Junho de 1939 para que o Papa Pio XII desse ordem de começar as escavações. O árduo trabalho prolongou-se desde 1939 a 1949, sob a direção de Mons. Ludwig Kaas, secretário ecônomo da fábrica de São Pedro, com um grupo de pessoas que não eram especialistas.


Em 1951 deu-se à luz o resultado oficial das escavações, segundo o qual existia uma interrogação acerca do túmulo que se tinha encontrado, pois estava vazio e não se tinha achado nenhum rasto explícito da presença de São Pedro (Dictionnaire d’Arquéologie Chrétienne et de Liturgie [D.A.C.L.], XV, 3291-3346).


Em 1952 iniciou-se outra série de escavações, nas quais participou, a título de especialista em epigrafia, Margarita Guarducci. Estas escavações permitiram descobrir toda uma necrópole no Vaticano. Quando o circo de Nero foi abandonado, o terreno foi invadido por monumentos funerários. Esta necrópole foi descoberta a nove metros e meio do nível atual da basílica, e compunha-se de mausoléus de pagãos ricos e de cristão conversos.


Não há dúvida que esta necrópole havia gozado de uma importância particular para Constantino, que foi o construtor da primeira basílica no ano de 321, pois, para poder construí-la na colina vaticana, teve que enterrar esta necrópole que ainda se utilizava e aplanar a colina em toda a sua extensão. Por que tantos inconvenientes e trabalhos para situar a basílica nesse preciso lugar, se não porque tinha um valor particular?



O túmulo de São Pedro


O túmulo do Apóstolo era primeiramente uma simples fossa, que nos anos 150-160 foi coberta com um monumento funerário. Este monumento, encostado a um muro vermelho, estava situado do lado Oeste do campo «P». A datação deste monumento fez-se graças às telhas que cobriam a cloaca descoberta sob o «clivus» que estava do lado oeste do muro vermelho.


O monumento era formado por dois nichos sobrepostos, separados por uma espécie de tábua sustentada por duas pequenas colunas. No solo encontrava-se uma abertura fechada por uma lousa móvel. De notar que os fundamentos do monumento formam um nicho, semelhante aos que são visíveis sobre o túmulo de São Pedro. Semelhante a outros monumentos da época, esta edificação parece estar particularmente relacionada com um lugar: o do sepulcro dos Apóstolos. Este fato é confirmado pela carta de Gayo, o qual, para refutar as pretensões de superioridade de uma seita montanista oriental que devia possuir a tumba do Apóstolo Filipe, responde: “Mas eu posso mostrar-te os despojos dos Apóstolos se queres vir ao Vaticano ou à via de Ostia, verás os despojos dos que fundaram esta igreja” (Eusébio de Cesárea, História Eclesiástica II, 25, 3-7).


Em meados do século III, construiu-se um muro «g» perpendicular ao muro vermelho do seu lado direito, e logo, à esquerda, um muro similar, para respeitar a simetria. Este muro «g» foi coberto de inscrições antes de ser, nos tempos de Constantino, recoberto por um monumento quadrangular que apenas deixava ver as colunas e os nichos do lado oeste. No muro «g» abriu-se um «loculus», isto é, um nicho, recoberto de mármore.


Entre os anos 322 e 337 construiu-se a basílica constantiniana. O Papa São Gregório Magno (590-604) mandou recobrir o monumento de Constantino com um altar e o Papa Calisto II (1119-1124) fez o mesmo com o altar de São Gregório.


Em 1506 iniciaram-se os trabalhos da atual basílica, cujo altar (de Clemente VIII) recobriu o de Calisto II. Desta maneira, do altar atual ao túmulo original, havia sobreposição.


O fato de que este monumento continha os restos de São Pedro está confirmado pelas inscrições descobertas na necrópole e no muro «g». Por exemplo, no mausoléu dos Valérios há uma inscrição em que se pede a Pedro por aqueles cristãos que estão enterrados perto do seu corpo: “Petrus roga pro sanc(ti)s hom(ini)bus Chrestianis ad co(r)pus tuum sep(ultis)”. Neste mesmo muro «g» acham-se muitos «graffiti» (como a sobreposição de um P e de um E) que aludem a Pedro. Por último, um dos «graffiti» em grego no muro «g» diz claramente “Petr[os] eni”: Pedro está aqui. Este último «graffiti» está intimamente relacionado com o muro «g» e o «loculus».


O Corpo de São Pedro


A descoberta do sepulcro de São Pedro exatamente sob a basílica vaticana põe definitivamente fim às calúnias contrárias a esta tradição imemorial.


Mas nem todos os elementos foram satisfatórios, pois o túmulo do monumento estava vazio. Só se encontraram ossadas em três lugares: 1) no campo «P» que é o lugar da fossa e o espaço ao seu redor; 2) sob os fundamentos do muro «g»; e 3) no «loculus» do muro «g».


Todos estes ossos, ignorados durante certo tempo, foram examinados unicamente a partir de 1953. Nesse momento soube-se que os ossos que se haviam encontrado sob os fundamentos dos muros correspondiam a dois homens e a uma anciã, e os ossos achados no campo «P» correspondiam a quatro indivíduos.


Entre o mês de Outubro de 1962 e Junho de 1963 procedeu-se ao exame antropológico dos ossos achados no «loculus» e que se tinham conservado numa caixa de madeira. E aqui foi a surpresa.


Estes ossos correspondem ao esqueleto de um homem robusto de uns 60 ou 70 anos de idade. Encontraram-se misturados com estes ossos restos de um tecido de púrpura incrustado de ouro, um pouco de terra, ossos de animais, moedas e pedacinhos de mármore (cf. D.A.C.L. XV, 3326).



Tudo concorda com fatos históricos já conhecidos:


- a terra e os ossos de animais correspondem ao enterro de São Pedro no campo «P»;


- a púrpura, cor imperial, manifesta o respeito para com as relíquias do chefe dos Apóstolos que haviam tido quem construísse o monumento constantiniano; Os fios do tecido são tingidos de púrpura verdadeira e envoltos em finíssimas laminas de oro.


- as moedas foram introduzidas no «loculus» pelas fissuras do reboco, pois o «loculus» nunca foi aberto;

- o mármore é o que recobria o interior do «loculus».


Todas estas relíquias, cujas características correspondem às de São Pedro, foram novamente colocadas no «loculus» em 27 de Junho de 1968, por vontade do papa Paulo VI.




Ossos de animais!


Observou-se em seguida a presença também de alguns ossos de animais domésticos, boi, porco, ovelha e galinha. Apresentam as mesmas características que os ossos humanos quanto às alterações físicas. Como os ossos humanos, são marcados pela umidade e a analise do pó que se pegou a eles revela que provêm do mesmo lugar, da mesma terra. Mostram em definitiva o extremo cuidado dos que recolheram os ossos de São Pedro no fim do século III ou nos primeiros anos do século IV. Procurando esses ossos na fossa que foi a primeira sepultura do Apóstolo, não quiseram correr o risco de deixar de lado qualquer um deles e guardavam todos os ossos que lá encontravam.


Outra surpresa foi a de encontrar com esses ossos do “loculus”, outros, limpos e brancos, sem sinal de umidade. Analisando-os o professor Correntini não tardou em achar que eram todos de um só animal…um ratozinho! A pergunta que surgiu então foi saber como um ratozinho pôde conseguir entrar e morrer no nicho. Uma nova analise do “loculus” permitiu evidenciar que jamais ele foi aberto ou violado, ninguém mexeu no muro e nas paredes de mármore até o século XX. Agora, descobriram fissuras no muro “g”, algumas terminando no nicho. E não só isso, senão a presença nelas de moedas de séculos anteriores! Ao mesmo tempo em que se explicava a presença do ratozinho se solucionava a objeção das moedas encontradas no nicho com datas cumpridas entre o século IV e o século XII! Comprovou-se que as moedas lançadas pelos devotos e peregrinos caiam muitas vezes pelas fissuras e se perdiam não só até o campo da fossa inicial de São Pedro senão também nos muros fendidos. Quando no século XII o Papa Calisto II mandou recobrir o altar de São Gregório com outro novo, também tapou a janelinha que permitia aos peregrinos satisfazer suas piedosas devoções… e não podiam mais lançar moedas por dentro!




CONCLUSÃO


Em 1964, todo esse admirável trabalho de pesquisa paciente estava concluído. Margarita Guarducci entregou um dossiê completo ao Papa Paulo VI com todos os resultados, analises e conclusões dos cientistas. Todas as objeções estavam examinadas e resolvidas. Não tinha mais lugar para as duvidas, só se esperava a palavra oficial e pública do sucessor de São Pedro. Essa voz se fará ouvir com certeza, mas não no ano 1964, não durante o concílio Vaticano II, não na providencial presença em Roma da maior parte da Hierarquia da Santa Igreja, não tampouco na presença dos observadores ortodoxos e protestantes convidados pelo Papa nessa ilustre assembléia. Não, infelizmente o Papa não aproveitará essa oportunidade excepcional para mostrar a tudo o mundo que o ensino da Tradição e a fé do Papa Pio XII estavam amplamente confirmados pelos trabalhos das escavações debaixo da basílica de São Pedro.


Haverá de esperar o ano 1968, a festa dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, para ouvir da boca do Papa Paulo VI a afirmação explicita da presença das relíquias de São Pedro no seu túmulo. Dez anos depois, poucas semanas antes de morrer, na altura também da festa dos dois grandes Apóstolos, o Papa afirmará de novo essa presença bendita de São Pedro em Roma. Ao menos lembremo-nos disto quando alguns modernistas tentam afirmar o contrário!



Mas deixemos que Margarita Guarducci, cujo livro “Saint Pierre retrouvé” resumimos (Ed. Saint Paul, 1974 – uma tradução em português está atualmente em preparação), nos dê a conclusão:


“Sem clamor algum [em 27 de junho de 1968], quase em silêncio, São Pedro regressou à sua igreja. Preencheu-se um grande vazio.


Hoje, quando o Papa celebra a missa na basílica, encontram-se de novo debaixo do seu altar, no lado do Evangelho, os restos do seu primeiro predecessor, daquele homem que conheceu Cristo, ouviu a sua voz, foi testemunha dos seus milagres, participou na Última Ceia e recebeu do Mestre ressuscitado e antes de subir ao céu, o mandamento de apascentar os seus cordeiros.


Os despojos do Eleito de Cristo, do príncipe dos Apóstolos, encontram-se outra vez onde descansaram durante mais de dezesseis séculos, no «loculus» de mármore no interior do monumento rodeado de pórfiro, em que o primeiro imperador cristão os havia colocado com todas as honras, com o fim de conservá-los para a veneração dos séculos vindouros” (op. cit., pg. 149).